Márcio Fernandes/Estadão
Márcio Fernandes/Estadão

Esperamos crescimento do mercado imobiliário neste ano, diz presidente da Caixa

Em evento do 'Estado', Gilberto Occhi afirmou que os financiamentos concedidos pelo banco para a compra e a construção de imóveis no primeiro bimestre já são maiores do que no mesmo período de 2016

Circe Bonatelli, O Estado de S.Paulo

04 de abril de 2017 | 12h45

O presidente da Caixa Econômica Federal, Gilberto Occhi, afirmou que os financiamentos concedidos pelo banco para a compra e a construção de imóveis no primeiro bimestre de 2017 no País já são maiores do que no mesmo período de 2016, reforçando as expectativas de que o mercado imobiliário voltará a crescer neste ano.

"Há expectativas da Caixa de crescimento do mercado imobiliário, mas há também dados que já mostram essa realidade", afirmou Occhi nesta terça-feira, durante o Summit Imobiliário, organizado pelo Grupo Estado em parceria com empresas e associações do setor da construção civil.

Em janeiro e fevereiro, o banco liberou R$ 14 bilhões de financiamento imobiliário. Para todo o ano, a Caixa tem um orçamento de R$ 84 bilhões em empréstimos nessa área, montante um pouco acima de 2016, quando atingiu R$ 81 bilhões.

Occhi citou que a economia brasileira tem dados sinais de recuperação, com queda nas taxas de juros e recuo da inflação. Segundo o presidente da Caixa, há expectativa de que o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) mantenha um corte gradual da Selic nos próximos meses. Além disso, Occhi estima que a inflação siga em um patamar controlado, entre 4,0% e 4,5% ao ano até 2020. Ele ainda lembrou que nos próximos dias a Caixa irá liberar mais uma tranche de pagamentos das contas inativas do FGTS, o que, segundo ele, ajudará a injetar cerca de R$ 10 bilhões na economia brasileira.

"Para nós, esse é um ano de confiança e de certeza de que invertemos a curva e vamos ter desenvolvimento do setor imobiliário novamente", completou.

Distratos. O presidente da Caixa também defendeu uma solução de mercado para os casos de distratos nas vendas de imóveis. Na sua avaliação, o problema é reflexo da crise econômica, que gerou 13,5 milhões de pessoas desempregadas, dificultando a conclusão das vendas de unidades na planta.

"Entendo que a questão do distrato é difícil de se pedir uma norma. O Código Civil prevê a possibilidade de rescisão de contrato", observou. "Só passamos a falar sobre isso durante a crise, quando houve um incremento maior dos distratos, colocando em risco a produção", disse Occhi. "O melhor dos meios é o mercado encarar, e não pedir ao governo para que ele arbitre uma regra", completou.

Há meses, há um grupo de trabalho formado por representantes de empresários da construção, consumidores e membros do governo federal para discutir a criação de regras claras para os casos em que há rescisão contratual. O principal entrave é a base de cálculo da multa a ser aplicada. Empresários defendem que ela seja um porcentual sobre o valor do imóvel que consta em contrato, enquanto consumidores pedem que a multa recaia sobre os valores pagos.

"O governo tem cuidado disso com atenção", disse Occhi, sem estimar prazo para um desfecho. Na sua avaliação, a melhor solução seria condicionar as vendas à liberação de crédito pelos bancos, o que daria maior segurança à transação. "O melhor dos antídotos contra distratos seria financiar na planta. Não tem distrato aí", avaliou.

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