Bruno Tadeu
Bruno Tadeu

‘Esperava uma promoção, mas fui demitido’

Romenio, Hudson e Ricardo contam como está difícil achar novo emprego após demissões

Bruno Tadeu, Especial para o Estado, Manaus

10 Maio 2015 | 03h00

Uma das vítimas da crise que se abate sobre a Zona Franca, que está paralisada e dispensou milhares de trabalhadores, foi o reserva de produção Romenio de Andrade, de 46 anos, que trabalhou por cinco anos na LG, no Distrito Industrial de Manaus.

Ele vivia a expectativa de receber uma segunda promoção na empresa, mas foi pego de surpresa ao ser demitido com um grupo de mais 20 colegas, no mês passado. Com dois filhos pequenos e aluguel para pagar, ele tenta se equilibrar financeiramente com o valor recebido na rescisão de contrato e o seguro-desemprego até encontrar outro emprego.


“Com a minha rescisão, pude pagar umas contas que estavam pendentes, mas não tenho nada em vista ainda (de emprego). Estou só em casa com os meus filhos e ainda vou dar entrada no meu seguro-desemprego”, disse Romenio, que tem uma terceira filha recém-nascida, mas que mora com a antiga esposa.

Da expectativa em ser promovido ao desemprego, o manauara nutria o sonho de comprar a casa própria. Com um valor razoável recebido de rescisão, ele reduziu as metas e só pretende tirar a carteira de habilitação para melhorar o currículo e voltar ao mercado. “Eu pensava em ter a minha casa própria, sair do aluguel, dar continuidade na minha vida e pagar alguém para ficar com as crianças, porque me separei há três meses e desde então eu fico com elas”, relatou.

Dificuldades. Bem mais jovem e sem filhos, o operador de produção Hudson da Silva, de 23 anos, ficou apenas sete meses na mesma LG. Com o salário que recebia, ajudava o pai e a irmã na casa, no Conjunto Viver Melhor II, no extremo norte de Manaus, onde também mora a namorada com uma filha. A demissão, no dia 1.º de abril, adiou o sonho de comprar o primeiro carro.


“No dia que eu saí, foram 70 pessoas comigo. E continua saindo todo dia. Meu pai é vigilante lá e acompanha as pessoas saindo todos os dias”, revelou Hudson. “Ficou difícil sem emprego. Tem família para ajudar, tem namorada, tem tudo. Estou com muita dificuldade, mas não tem emprego nenhum. Tenho procurado emprego no Distrito (Industrial), que é onde eu tenho experiência”, disse Hudson.

Desempregado desde janeiro, Ricardo Brito, de 36 anos, acreditava que ficaria um longo tempo na Whirlpool, fabricante de eletrodomésticos, mas fez parte de um grupo de 300 pessoas que foram pegas de surpresa no início do ano. 

Há quatro meses em busca de um novo emprego, ele conta com o seguro-desemprego e a venda de lanches da esposa para pagar o aluguel da casa e sustentar os três filhos.

“Ultimamente tenho ajudado mais a esposa e cuidado das crianças. Ainda dei sorte de conseguir o seguro-desemprego, porque tive problemas com a empresa no momento da minha saída. Recebo o seguro até agosto, mas estou preocupado. Cheguei a fazer duas entrevistas de emprego, mas não consegui fechar com ninguém. Não sei se é por causa dessa crise”, lamentou Ricardo.

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