Espetáculo do crescimento só em 2005, diz economista

Se tudo correr bem e se o Banco Central reverter a sua posição intransigente em relação aos juros e à liquidez no mercado, o espetáculo do crescimento econômico só terá lugar em 2005. Foi o que afirmou o economista Nélson Barrizzelli, da USP, em entrevista ao programa Conta Corrente, da Globo News. Ele acha que, na melhor das hipóteses, uma recuperação mais acentuada poderá ocorrer no segundo semestre do próximo ano. Antes disso, será muito difícil, porque o primeiro semestre é sazonalmente fraco. "Vindos de uma situação complexa como essa, na qual estamos inseridos, se tudo der certo, a partir do segundo semestre do ano que vem, poderíamos experimentar algum tipo de crescimento. Mas crescimento mais significativo, só a partir de 2005, 2006, se não errarmos na política econômica", disseSegundo Barrizzelli, o quarto trimestre deste ano "certamente será um pouquinho melhor, por razões sazonais", mas mesmo assim se, no ano, o PIB crescer 1%, ainda será bastante positivo, tendo em vista o resultado dos últimos meses. "As expectativas, para 2004, de que o PIB cresça 3,5%, 4%, certamente acabarão se frustrando". previu.JurosA manutenção do gradualismo na redução dos juros, conforme vem defendendo com insistência o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, tem sido o principal fator a inibir o crescimento econômico, na opinião de Barrizzelli. Para ele, o BC perdeu o timing, já que o corte na taxa Selic deveria ter ocorrido desde o mês de março. "Para quem acompanha o mercado real, para quem está envolvido com o dia-a-dia do mercado de compra e venda de produtos e serviços, nós tínhamos sinalizações muito claras de que aquela bola inflacionária de outubro e novembro já tinha começado a ceder em janeiro, e ela ia cair (mais nos próximos meses). Inevitavelmente, nós teríamos deflação, mais dia menos dia. Isso era absolutamente esperado e, dificilmente, nós vamos conseguir a curto prazo reverter esta situação."

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