Esporte radical famoso em comerciais causa polêmica e mortes

Homens voadores fazem sucesso em propagandas e filmes na internet, mas causam inquietação na França

Efe,

20 de agosto de 2013 | 13h38

PARIS - O "wingsuit", um esporte ultra radical que consiste em planar sobre o perfil de uma montanha a 160 quilômetros por hora com um traje com membranas que formam asas presas ao corpo, causa inquietação na França após a morte de cinco 'homens pássaro' neste verão, três deles nos últimos dias.

Parte do atrativo do esporte é voar com uma pequena câmera fixada ao corpo para gravar o salto e distribuir as imagens na internet, em sites como o Youtube e o Dailymotion.

Várias empresas já contrataram os voadores para gravar comerciais buscando associar suas marcas a valores como desafio, precisão e liberdade, mas os acidentes recentes associam o esporte a acidentes trágicos e sempre fatais.

 

Perigo. "É espetacular, produz imagens muito bonitas, mas é muito perigoso", afirma Jean-Michel Poulet, diretor técnico da Federação Francesa de Paraquedismo, organismo que não reconhece o "wingsuit" entre suas disciplinas.

Um alemão, um polonês, um britânico e dois franceses perderam a vida na França desde o dia 26 de julho. O paraquedista que foi dublê do agente secreto James Bond na cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos de Londres 2012, Mark Sutton, também foi vítima do esporte.

O dublê voador de 007 se chocou no último dia 14 de agosto contra uma colina rochosa dos Alpes suíços, após saltar de um helicóptero a 3 mil metros de altura, o que gerou dúvidas sobre um esporte desconhecido para o grande público que causa cerca de vinte mortos por ano no mundo.

 

Preços. Os praticantes do "wingsuit" deixam-se cair vestidos em um traje que lhes fazem parecer morcegos e que custa entre 500 e 1,5 mil euros (de R$ 1,6 mil a R$ 4,8 mil).  

Parte da beleza do salto, que dura cerca de dois minutos a velocidades que podem chegar a 200 quilômetros por hora, reside em voar muito próximo ao contorno das montanhas por muitos quilômetros, antes de aterrissar de para-quedas.

"Planam muito próximo às árvores e ao solo como pássaros", explica Poulet, que insiste em que trata-se de uma prática muito perigosa e apenas recomendada a paraquedistas experientes.

O "wingsuit" (traje alado) só é recomendado para os que estão convictos da sua sólida experiência como paraquedistas, com pelo menos 500 saltos de queda livre convencional ou 200 saltos nos últimos 18 meses.

A menos que queiram praticar com o apoio da Federação, que não apoia saltos nas imediações de montanhas, onde ocorrem a maioria dos acidentes.

Origem. A origem do esporte vem de 1930, mas a prática moderna vem da metade dos anos 90, inventada pelo francês Patrick de Gayardon, falecido no Hawai em 1998 provando uma nova versão do seu traje alado.

Desde então, a prática vem ganhando adeptos na França e se calcula que já seja praticado por mais de 300 esportistas.

Alguns deles saltam em outros países, como a Suíça, Noruega, China, Estados Unidos e Espanha. "O número de interessados cresceu nos últimos dois ou três anos", afirma o diretos técnico da Federação de Paraquedismo da França, que lamenta que entre os novos adeptos haja "gente que não passa pelo paraquedismo, compra o traje e se aventura a voar, o que provoca muitos acidentes".

As imagens distribuídas na internet cortam a respiração pelo perigo ao mesmo tempo em que exibem a beleza do voo inacreditável, em gravações que mostram rasantes em rochas e árvores.

Fórmula 1. Especialistas dizem que se trata de uma prática muito técnica e a comparam a uma corrida de Fórmula 1, onde qualquer falha pode ser fatal.

Thomas Malahel, instrutor de queda livre nos Alpes que conta com 10,6 mil saltos em seu currículo, porém 'apenas' 200 de montanhas e rochas. Relaciona o atrativo do "wingsuit" com esportes como o alpinismo, com a diferença que inclui, além da escalada, 'a beleza do salto'.

"Mas passar a dez metros do solo é uma idiotice", sentencia Malahel, conhecido como "Matos" entre os aficionados do voo, aos quais alerta para o risco de que algo possa falhar  a uma velocidade tão alta a uma proximidade tão arriscada dos obstáculos do percurso.

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