"Esquecemos de contar ao presidente", diz Gros

Um acidente de comunicação. Foi como o presidente da Petrobrás, Francisco Gros, definiu a decisão do presidente Fernando Henrique Cardoso de suspender um aumento de 2% nos preços dos combustíveis, anunciado pela Petrobrás, na última sexta-feira. "O assunto do aumento foi discutido tecnicamente dentro da empresa, ele foi levado à diretoria, foi discutido no dia 8 de fevereiro com o presidente do Conselho, o ministro José Jorge (de Minas e Energia), que por sua vez, no mesmo dia, informou ao ministro Pedro Parente (da Casa Civil), que também é membro do Conselho da Petrobrás. Ou seja, toda a diretoria da Petrobrás sabia, mas todos nós esquecemos de contar ao presidente", afirmou Gros. FHC quer alternativaApesar do reconhecimento na falha de comunicação Francisco Gros admite que as "faíscas" desse "curto-circuito" ainda não foram totalmente apagadas. Segundo ele, o presidente solicitou que seja verificada a possibilidade de outra alternativa em vez do aumento de preço, para que não haja reflexos na inflação. Fernando Henrique, segundo Gros, solicitou também que seja explicado tanto a ele quanto à população a nova metodologia de mercado para o reajuste dos combustíveis. Francisco Gros lembrou que desde o dia 1º de janeiro os preços dos combustíveis devem refletir seus custos, que são influenciados pela variação da gasolina no Exterior e pela variação do câmbio. "Tanto que no início do ano a Petrobrás, em função da queda do dólar e da queda dos preços do petróleo lá fora pode anunciar uma redução de 25% no preço da refinaria. Essa é a boa notícia. Mas tudo que cai talvez tenha que subir um dia", explicou Gros, reafirmando que no momento o aumento de 2% nos preços do petróleo está suspenso. Investidores estrangeiros estão confiantesO presidente da Petrobrás disse que os investidores estrangeiros estão confiantes no Brasil, mas que ainda existe uma preocupação com o cenário internacional. "O cenário ainda é muito incerto, tem um grau de volatilidade grande e essa evidentemente é uma preocupação legítima de qualquer investidor", disse Gros, em entrevista ao programa Bom Dia Brasil, da TV Globo. Segundo ele, muitos desses investidores lhe perguntaram, em recente viagem ao Exterior, sobre as eleições presidenciais neste ano no Brasil e possíveis mudanças. "Todos nós temos dito que o Brasil hoje tem uma base institucional bastante forte e que não há nenhuma razão para que essa preocupação seja maior", afirmou Gros. Com relação à Argentina, o presidente da Petrobrás admite que está preocupado. "Eu acho que para que o sistema internacional funcione é preciso que haja um mínimo de redes de segurança. E essas redes, que funcionaram ao longo da década de 90, impedindo uma crise mais grave em 94, na Ásia em 97 e na Rússia em 98, aparentemente estão desmontadas neste momento". Para Gros essa seria uma das razões pelas quais o risco Brasil continua tão alto. Ele atribui o desmonte desse sistema de segurança ao governo George W.Bush, que tem a visão de que os mercados devem reagir sozinhos.

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