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'Esse campo de atuação ainda é pouco explorado'

Conforme a Organização Mundial de Saúde, a adolescência vai dos 10 anos aos 20 anos, e segundo especialistas, essa é a fase da vida em que a pessoa está mais exposta a riscos. "A adolescência me chamou a atenção por suas peculiaridades e porque pessoas nessa faixa etária vivenciam muito mais riscos do que uma criança ou um adulto", diz a aluna da especialização em hebiatria da Santa Casa, Ana Beatriz Bozzini.

CRIS OLIVETTE, O Estado de S.Paulo

23 de junho de 2013 | 02h22

"Esse é o momento em que os filhos estão se separando dos pais, estreitando a relação com o grupo de amigos e descobrindo a sexualidade. É também o período de maior vulnerabilidade às drogas", afirma.

De origem grega, a palavra hebiatria significa medicina da juventude e faz referência a Hebe, a deusa grega da juventude. Segundo o coordenador da especialização da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), Benito Lourenço (foto abaixo), o Brasil tem mais de 20 mil pediatras e menos de 300 hebiatras. "É um campo que está em pleno crescimento", ressalta.

O médico diz que o hebiatra tem uma atuação integral, enquanto a medicina em geral se torna cada vez mais fragmentada. "Além de cuidar da parte clínica, preparamos esse profissional para lidar com questões relacionadas às drogas, sexualidade, gravidez, transtorno alimentar, enfim, para trabalhar com uma série de questões. Por isso, ele tem atuação bastante integral."

Segundo Lourenço, a formação de pediatras puristas, com foco em bebês, cria um problema. "Os adolescentes ficam deslocados. Eles deixam de ser atendidos por pediatras, enquanto o clínico não tem essa formação técnica específica."

O médico informa que, no ano passado, por exemplo, apenas nove médicos fizeram a prova de título para atuar na área. "Por ser pouco divulgada, poucas faculdades oferecem a formação. Em São Paulo, está disponível na USP, Santa Casa e na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp)."

O interesse de Ana Beatriz pela área ocorreu depois de concluir a especialização em pediatria. "Passei um ano em Paris e tive a oportunidade de estagiar numa clínica que tratava adolescentes com distúrbio alimentar. Foi assim que decidi fazer hebiatria." No estágio atual, ela conta que participa de muitas discussões de casos e atende pacientes nos diversos ambulatório do hospital.

Lourenço afirma que para ser hebiatra o médico precisa gostar de adolescentes, se interessar pelos temas de saúde que envolvem esse público e ter afinidade com os assuntos relacionados a essa fase da vida. "Também devem ter muito clara a conduta ética durante as consultas, como a confidencialidade, privacidade, saber como abordar temas delicados e ter a habilidade de comunicação muito bem trabalhada."

Segundo o médico, o campo de trabalho oferece atividades que extrapolam o atendimento. "Hoje, várias escolas têm hebiatras em seus corpos de orientação. Também podem atuar com medicina do esporte, preparando o condicionamento físico dos jovens."

Ana Beatriz diz que depois de formada vai atender adolescentes em seu consultório. "Também vou me dedicar à área acadêmica e de pesquisa."

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