Essencial, mas ainda longe das empresas

Considerada indispensável para assegurar à indústria brasileira condições de competir internacionalmente num momento de grandes transformações da economia mundial e essencial para garantir o desenvolvimento sustentável - tema que dominou as preocupações de centenas de chefes de Estado e de governo e milhares de pessoas presentes à conferência Rio+20 -, a inovação ocupa espaço cada vez mais destacado no discurso de dirigentes empresariais e formuladores de políticas públicas. É cada vez mais notável, no entanto, a distância entre o que se diz sobre a inovação e o que efetivamente se faz dentro das empresas para torná-la real.

O Estado de S.Paulo

27 de junho de 2012 | 03h11

Embora tratada por dirigentes empresariais conscientes como a chave para garantir competitividade interna e externa, o que significa mercados crescentes para seus produtos, a inovação não chegou ao cotidiano da maioria das empresas, sobretudo as de pequeno e médio porte. Para essas empresas, é algo distante, quase inalcançável.

Ao final da 12ª Conferência de Inovação Tecnológica - realizada há duas semanas em Joinville, Santa Catarina, pela Associação Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento das Empresas Inovadoras (Anpei) -, seus participantes divulgaram carta na qual apontam, entre outros fatores que inibem os investimentos nesse campo, a baixa disponibilidade de recursos públicos e o ambiente legal que não dá confiança ao empresário para arriscar seu dinheiro em algo novo.

Mas este é apenas um lado da questão. Nem mesmo quando há estímulos oficiais de efeitos quase imediatos as empresas buscam a inovação. De um grupo de 148 empresas de médio porte pesquisadas pela Fundação Dom Cabral, praticamente a metade (ou 48,9%) disse desconhecer os programas de incentivo à inovação e mais de dois terços (69,4%) não estabeleceram parcerias com universidades ou instituições de pesquisa. Só 20% disseram utilizar alguma forma de estímulo à inovação.

Uma possível explicação para esses dados é o fato de que a maioria das empresas está mais preocupada com questões de sobrevivência e de ganhos no curto prazo, como gestão de caixa e produção e entrega do produto. Outro obstáculo pode ser de natureza cultural. É o medo de arriscar, de investir em algo novo, cujo resultado é incerto.

Entidades com a Anpei e o Sebrae e instituições acadêmicas, como a Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getúlio Vargas, têm estimulado as empresas a incorporar a inovação em sua agenda estratégica, mas a decisão é exclusivamente dos empresários. É preciso que eles tenha mentalidade inovadora. E, por enquanto, não são muitos os que tem.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.