Rafael Arbex/Estadão
Rafael Arbex/Estadão

Jucá diz que reforma da Previdência fica para 2018

Governistas queriam anunciar decisão oficialmente nesta quinta-feira, mas senador se antecipou e informou que reforma só vai à votação no ano que vem

O Estado de S.Paulo

13 Dezembro 2017 | 17h15

BRASÍLIA – O líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), se antecipou ao presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e anunciou nesta quarta-feira, 13, que a reforma da Previdência só será votada em fevereiro do próximo ano. O anúncio, antecipado pelo peemedebista ao Estadão/Broadcast, provocou queda da Bolsa e alta do dólar e virou uma saia-justa para a equipe econômica e lideranças governistas, que só pretendiam anunciar a decisão hoje. 

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“Só vota Previdência em fevereiro. Está conversado entre o Rodrigo e o Eunício. Estamos esperando apenas o presidente (Michel Temer) chegar (de São Paulo) para fechar o acerto”, disse Jucá em entrevista ao Estadão/Broadcast minutos após descer da mesa diretora do plenário da Câmara, onde teve conversa de pé de ouvido com Maia para falar sobre o assunto. Após a entrevista, Jucá distribuiu nota e convocou coletiva de imprensa para informar a decisão.

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Surpreendidos com a declaração, lideranças governistas e da equipe econômica se apressaram para desmentir acordo. Em diferentes falas, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, que estava em São Paulo, Rodrigo Maia e o líder do governo na Câmara, Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), disseram que o acordo ainda não estava fechado e que a posição final sobre a data da votação só será tomada hoje em reunião entre Maia, Temer e Eunício. 

“Eu acabei de falar com ele (Jucá) e ele expressou a sua opinião de que ele acha isso uma solução viável e possível, mas evidentemente que isso não é uma decisão ainda. Continuamos trabalhando para votar o mais rápido possível, se possível na semana que vem”, disse Meirelles, após deixar evento com empresários na capital paulista. “Não houve acordo. Quero entender amanhã (hoje) se governo tem votos necessários”, disse Maia. 

Lideranças governistas já vinham conversando há pelo menos três dias sobre o adiamento da votação. O acerto foi feito em reuniões ao longo da terça-feira, uma delas à noite, entre Temer, Maia, Aguinaldo e o ministro-chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha, no Palácio do Planalto. O governo, no entanto, queria fazer o anúncio em uma coletiva de imprensa hoje, com um discurso coordenado, para não passar a imagem de que tinha “jogado a toalha”.

Para isso, Maia, Eunício e Jucá vinham preparando o terreno. Nesta quarta-feira, 13, os três articularam, com aval do Palácio do Planalto, a votação do Orçamento da União de 2018 já nesta quarta-feira, o que provocaria o esvaziamento do Congresso Nacional. Com isso, poderiam usar na coletiva de imprensa o discurso de que não adiantava colocar a matéria em votação, pois não haveria quórum suficiente. 

Após as declarações de Jucá, no entanto, o Palácio do Planalto soltou nota reforçando que não há a intenção de “jogar a toalha” na “batalha” pela aprovação da reforma. E informou que espera para esta quinta-feira a leitura do parecer do deputado Arthur Oliveira Maia (PPS-BA) sobre a reforma da Previdência no plenário da Câmara e que, somente depois disso, discutirá com Maia e Eunício a data de votação da reforma. 

Casada. Ao Estadão/Broadcast, Jucá afirmou que o acerto de adiamento da votação prevê que as duas casas votem a reforma de forma “casada”, ou seja, o Senado votará logo após a Câmara aprová-la. A combinação era cobrada por deputados, que temem se desgastarem votando uma matéria impopular, sem que os senadores dessem prosseguimento a ela. Os deputados também querem que o texto aprovado por eles não seja alterado pelos senadores, para evitar que volte para Câmara.

“É importante essa conversa entre as duas casas. É importante estar em sintonia”, disse o líder do DEM na Câmara, deputado Efraim Filho (PB). “Seria importante que o texto aprovado pela Câmara não fosse alterado pelo Senado, para não ter que voltar depois”, declarou o líder do PR, deputado José Rocha (BA), que acredita que deixar a reforma para 2018 deve inviabilizar a votação, pois aumenta o medo de desgaste eleitoral dos deputados. 

Jucá disse que há a possibilidade de votar a reforma em janeiro, durante o recesso parlamentar, caso o governo tenha os votos. Para isso, o presidente da Câmara teria de convocar extraordinariamente os parlamentares, o que governistas consideram difícil. Essa não foi é a primeira vez que Jucá saiu na frente. Em agosto, ele antecipou-se ao anúncio oficial e revelou que a nota meta fiscal para 2017 e 2018 permitira déficit de R$159 bilhões em cada ano. /IGOR GADELHA, ADRIANA FERNANDES, CARLA ARAÚJO, RENAN TRUFFI E IDIANA TOMAZELLI

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