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Está difícil reduzir a dívida da 'supertele'

ANÁLISE: Renato Cruz

O Estado de S.Paulo

09 de outubro de 2014 | 02h03

A situação da Oi reflete o insucesso da política pública de criação de "campeões nacionais". A dívida de R$ 46,2 bilhões que a empresa tenta equacionar teve origem, em boa parte, na compra da Brasil Telecom, em 2008. A operação era proibida na época, mas o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou decreto para permiti-la.

Na época, o governo chegou a anunciar que criaria uma "supertele nacional" para fazer frente a gigantes como a espanhola Telefônica (dona da Vivo) e a mexicana América Móvil (Claro, Embratel e Net). A fusão fez parte da política de "campeões nacionais", em que algumas empresas eram escolhidas para receber apoio com dinheiro público.

A fusão deu origem à operadora de telefonia fixa dominante em todos os Estados brasileiros, com exceção de São Paulo. A expectativa era de que, com isso, ela tivesse escala para competir com os grupos estrangeiros.

Mas, a partir da compra da Brasil Telecom, as coisas se complicaram. A dívida alta e a dificuldade de integrar operações se tornaram um freio à expansão da Oi. Ela vinha de um lançamento de sucesso da operação móvel e tinha boa avaliação de clientes. Os problemas decorrentes da fusão mudaram o quadro.

A união com a Portugal Telecom foi uma tentativa de melhorar o perfil da dívida. Abriu-se mão até do conceito de "supertele nacional", já que os sócios portugueses teriam fatia relevante na empresa, assumindo o dia a dia da operação. O fato de Zeinal Bava, ex-presidente da Portugal Telecom, estar no comando da operadora refletia isso.

A surpresa foi a Portugal Telecom ter comprado de papéis de dívida de uma empresa do Grupo Espírito Santo, um de seus maiores acionistas, que precisou ser socorrido pelo governo de seu país. Quando o grupo português não pagou a dívida, a participação da PT na empresa que surgiria da união com a Oi acabou reduzida, pois o aporte diminuiu, e, consequentemente, o endividamento da operadora continuou alto. A saída de Bava foi resultado dessa situação.

A Oi nem participou do leilão de novas licenças de telefonia celular 4G, promovido recentemente pelo governo, o que mostra como a política de "campeões nacionais" foi falha.

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