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Dan Kawa: Separar o ruído do sinal é a única forma de investir corretamente daqui para a frente

''''Está em nossa pauta abrir capital''''

Membro do Conselho de Administração diz que as operações no exterior devem responder por 30% das receitas do grupo

Ricardo Grinbaum, O Estadao de S.Paulo

11 de outubro de 2007 | 00h00

Conhecido por seu estilo cauteloso, o Votorantim estuda dar alguns passos mais ousados. O grupo pretende aumentar sua presença internacional, elevando a participação dos negócios no exterior de 10% para 30% das receitas. Além disso, discute a possibilidade de abrir capital na Bolsa de Valores, embora não haja definição sobre o assunto. "Esse é um tema que está sempre em nossa pauta de discussões", disse José Roberto Ermírio de Moraes Neto, presidente da Votorantim Industrial e membro do Conselho de Administração da Votorantim Participações, na seguinte entrevista: O grupo cresceu 26% ao ano nos últimos 5 anos. Quais são os planos agora?Temos como meta duplicar o seu valor pelo múltiplo do ebtda (lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização) até 2011. Nossa ambição é manter esse ritmo de crescimento em dois dígitos.O grupo mapeou a economia brasileira para decidir em que áreas deve investir. O Votorantim vai entrar em novas áreas?O grupo definiu três áreas de atuação: industrial, financeira e novos negócios. Na área industrial, nosso plano é sermos líderes nas atividades em que atuamos - aço, alumínio, zinco e níquel. No banco, continuamos com nosso importante programa de crescimento orgânico. O banco já está na lista dos dez maiores do sistema financeiro. Em novos negócios, queríamos investir em um campo menos intensivo em capital e muito mais intensivo no fator humano. Por isso, apostamos em biotecnologia e tecnologia de informação.O grupo vai entrar em outras áreas?Não. Os desafios atuais já são bastante grandes. O processo de consolidação mundial vem ocorrendo em uma velocidade espantosa, com anúncios diários de fusões e aquisições, bilhões de dólares para cá e para lá. O grupo não pode se descuidar, tem de se manter bem posicionado nos negócios em que atua. O grupo tem se internacionalizado de maneira cautelosa. Quais são os planos daqui para a frente?Você usou a palavra cautela para falar sobre nossos investimentos no exterior e é verdade. O mundo passa por uma euforia na avaliação de empresas listadas no mercado de capitais. O grupo tem sido bastante seletivo ao fazer aquisições. Para nós, elas têm de ter um posicionamento estratégico regional, que faça sentido para o negócio e tenha boas perspectivas de geração de valor. Crescer por crescer é fácil, mas crescer de maneira consistente e criar valor ao longo do tempo é uma tarefa um pouco mais complexa.Vocês não vão participar dessa tendência de abrir capital para obter recursos e comprar empresas no exterior?O grupo não pode dizer que vai se abdicar completamente de usar o caminho A, B ou C como fonte de financiamento. Hoje, tem sido capaz de crescer nesse ritmo de dois dígitos com a geração própria de recursos, além da alavancagem financeira. O grupo ganhou a nota de investment grade nas agências de risco e isso nos permitiu reduzir o custo de capital e ter mais fôlego para aquisições. Agora, a abertura de capital é uma realidade. O grupo sempre está com esse assunto em pauta, sempre reavaliando as oportunidades e o momento. Quando o momento chegar, esperamos estar prontos para atuarmos com esse tipo de fonte de financiamento.O que se fala é que o grupo poderia fazer aquisições de grande porte, como fez a Vale do Rio Doce ao comprar a mineradora canadense Inco...É verdade. Mas não se esqueça que, por ser conservador, o grupo conseguiu a nota de investment grade e isso nos permite manter um grau de alavancagem de duas vezes o nosso ebtda, que é uma boa capacidade, mas conservadora. A economia brasileira ainda não está 100% consolidada, ainda tem ajustes a serem feitos. Enquanto o Brasil não atingir uma maturidade, como as melhores economias, temos que ter um pouco de cuidado.Qual será o peso das operações no Brasil e no exterior?No ano de 2000, quando fizemos o plano de 10 anos, prevíamos ter 50% das nossas receitas em dólar. Na época, o dólar era considerado moeda forte (risos) e hoje até o real é mais forte que o dólar. As coisas mudam. Hoje o dólar é o fraco. Sem essa questão da moeda forte, temos como objetivo ter receitas vindo de operações fora do Brasil na ordem de 30% até 2011. Hoje esse número está em torno de 10%.Em que áreas o grupo deve apostar mais na internacionalização?Em cimento, fizemos aquisições recentes nos EUA. Temos planos de investimentos e estamos sempre avaliando aquisições. Em metais, seja zinco ou níquel, estamos atentos às oportunidades de aquisições e parcerias, principalmente na América e Europa. As maiores possibilidades do zinco são na América, porque as ocorrências do mineral se concentram no Canadá e nos Andes. No níquel, o Brasil continua sendo um candidato natural. Mas também poderiam surgir oportunidades em países como a Bolívia e a Colômbia. Já há ocorrências consolidadas no Leste Europeu, mas aí fica mais difícil para uma empresa brasileira conseguir uma posição de destaque em países como a Rússia. As Américas ainda são o nosso quintal de trabalho. O grupo também tem investido em aço no exterior.O negócio dos aços longos tem mostrado uma performance muito atraente, com o crescimento da construção civil no Brasil e a demanda da China. O grupo se vê na obrigação de continuar crescendo nessa atividade. Anunciamos uma nova planta no Rio de Janeiro, com uma capacidade de um milhão de toneladas. Com relação a outros países, o aço ainda é um setor em consolidação. É um setor que apresenta oportunidades para encontrar empresas que estejam no processo de venda. É lógico que devemos ter a humildade de não querer ter a pretensão de copiar o modelo de uma Gerdau, que está nesse processo há anos, concentrado com foco só nesses negócios. Estamos na sombra, onde as oportunidades aparecerem estaremos presentes. No Brasil e nos outros países das Américas.

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