Está mais caro manter multinacionais na China, diz KPMG

Fortalecimento da competição local, salários mais altos e a escassez de mão de obra têm contribuído para o aumento dos custos

Stefânia Akel, especial para Agência Estado,

21 de agosto de 2012 | 18h20

SÃO PAULO - O fortalecimento da competição local, os salários mais altos e a escassez de mão de obra, que resulta do envelhecimento da população chinesa, têm contribuído para o aumento dos custos para se manter uma multinacional na China. Executivos de multinacionais consultados para um estudo da consultoria KPMG International, divulgado nesta terça-feira, 21, afirmam que está cada vez mais difícil competir com produtores locais em termos de igualdade no país. A pesquisa foi feita no final de 2011 com base em estudos de caso e entrevistas. 

Os representantes das multinacionais criticam o governo chinês de facilitar a vida dos produtores locais, como resposta à crise global, ao colocar obstáculos burocráticos e financeiros para tentar barrar a entrada de empresas estrangeiras. O crescimento econômico e os estímulos fiscais que tornaram a China atrativa nas últimas décadas foram afetados pela crise internacional, o que tem levado as companhias a diversificarem seus focos de atuação, devido não só aos altos custos, mas também às dificuldades de relacionamento com o governo chinês.

Para os empresários consultados no estudo, a China deve continuar sendo grande fonte de receita para as multinacionais, mas a transição de um país que apresentava baixo custo de produção para um país cada vez mais consumidor significa que as empresas tendem a produzir menos nas fábricas chinesas e vender mais para os consumidores do país. Uma solução apontada pelo relatório é a volta das joint-ventures, populares antes da entrada da China na Organização Mundial do Comércio, em 2001. Especialistas citados no relatório acreditam fazer sentido para as multinacionais se unirem a empresas locais como forma de ganhar mercado, em vez de tentar adquirir companhias do país.

Segundo o relatório da KPMG, as dificuldades apontadas não significam que este seja o fim do "reinado da China" como maior produtor do mundo. Para a consultoria, não há uma alternativa óbvia ao país, já que a China exporta, em valores, praticamente o mesmo que o restante dos países asiáticos emergentes juntos. Assim, a avaliação da consultoria é de que, no futuro, o relacionamento das multinacionais com a China não deve somente crescer em tamanho, mas também em complexidade.

Regionalidades

O estudo também mostra que as multinacionais estão cada vez mais se voltando para as províncias do interior da China, em busca de oportunidades. As companhias adotam diferentes estratégias para competir em regiões específicas. Nesse cenário, segundo a KPMG, as empresas precisam saber quais são os setores produtivos mais fortes de cada região para, então, investir neles. Assim, por exemplo, a península de Shandong, uma região menos populosa do norte da China, tem potencial para investimentos numa rede ferroviária de alta velocidade, que pode criar um corredor industrial semelhante ao que já existe entre Tóquio e Osaka, no Japão, de acordo com a consultoria.

Para a KPMG, infraestrutura e logística têm sido os principais atrativos para investimentos regionais.

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