Está na hora de empresários voltarem a investir, diz Meirelles

Presidente do BC pede o retorno dos investimentos para garantir a sustentabilidade do crescimento do País

Fabio Graner, da Agência Estado,

15 de setembro de 2009 | 12h14

O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, conclamou os empresários presentes na reunião do Conselho de Desenvolvimento Economia e Social (CDES), que voltem a investir para garantir a sustentabilidade do crescimento. "Acho que está na hora de investir. O Brasil tem condições de crescer e está crescendo de forma sustentada. É importante que se mantenha a capacidade de crescer à frente", disse. "É importante que os empresários voltem a investir rapidamente. Não esperem a evidência para voltar a investir."

 

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O presidente do BC elogiou a política econômica de enfrentamento da crise e ressaltou que a "sequência de ações" foi importante para que ela fosse bem sucedida. Ele explicou que essa sequência de ações se refere à primeira fase, que foi a atuação emergencial do BC para restaurar a normalidade, preservando a liquidez e o crédito, seguida pelas ações de políticas monetária (redução dos juros) e fiscal com intuito anticíclico.

 

Ele exemplificou o impacto dessa sequência de ações com o caso do setor automotivo. Segundo Meirelles, em outubro do ano passado, no auge da crise, se o cidadão fosse a uma concessionário de veículos, ele não conseguia tomar empréstimo para compra de carro. Mas com a normalização do sistema financeiro, fruto da ação do BC, o crédito foi restaurado e com a redução do IPI de automóveis, na sequência, conseguiu-se estimular o desempenho do setor.

 

Meirelles também destacou que o setor financeiro capitalizado no Brasil, que hoje é exemplo para o mundo, foi decisivo para que o País emergisse da crise. Ele afirmou que o Comitê da Basileia está adotando ideia proposta pelo Brasil de que os bancos aumentem o índice de provisionamento para que possam usar durante as crises. "O Brasil já tem um colchão de 100% do capital mínimo exigido".

 

País é modelo na ação contra a crise

 

Meirelles comemorou o fato de o Brasil já ter saído da crise financeira e exaltou o fato de que as medidas adotadas por sua equipe e o restante do governo brasileiro estão sendo considerados exemplos por economistas e analistas internacionais. "A ação direta brasileira no canal de transmissão da crise é considerada um modelo internacional", afirmou.

 

Aos presente na reunião, Meirelles exaltou o fato de que "um diagnóstico correto, a aplicação do medicamento correto e a ação rápida e na sequência" permitiram que as medidas tomadas pela equipe econômica brasileira fossem bem-sucedidas no enfrentamento da crise. Meirelles comparou a ação do BC ao atendimento de um paciente com ataque cardíaco. "Ouvi, certa vez, que o enfrentamento de uma crise bancária é algo muito semelhante a esse procedimento médico, porque tem de ser feito rapidamente e de forma adequada", afirmou, ao lembrar das ações da autoridade monetária para restabelecer ofertas de crédito em reais e dólares no País. "O Brasil foi o primeiro país do mundo a anunciar empréstimos de dólares das reservas", exemplificou.

 

Entre as demais medidas tomadas pelo BC, Meirelles ressaltou a redução dos depósitos compulsórios, em cerca de R$ 100 bilhões, e a injeção de liquidez em bancos de menor porte, de R$ 41,8 bilhões. Ele também lembrou da criação de uma garantia especial para depósitos bancários, de até R$ 100 milhões. "A reação da economia mostra o correto papel das medidas contracíclicas", afirmou.

 

BC vendeu US$ 14,5 bilhões na crise e já comprou US$ 11,5 bilhões

 

O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, também fez um balanço de todas as ações da autoridade monetária no mercado cambial durante o último ano, período que coincide com o agravamento da crise financeira internacional. Ele informou que no auge da turbulência, o BC vendeu US$ 14,5 bilhões no mercado cambial à vista. Porém, com a melhora da situação, a estratégia foi alterada e o BC passou a comprar dólares no mercado. Desde 8 de maio deste ano, quando essa ação foi retomada, já foram retirados US$ 11,5 bilhões do mercado de câmbio à vista. Há, portanto, um saldo líquido restante de aproximadamente US$ 3 bilhões.

 

Meirelles também informou que o BC repassou ao mercado US$ 24,5 bilhões durante a crise, para o financiamento das exportações, em operações conhecidas como leilão de linha. Desse montante, US$ 21,1 bilhões já foram resgatados pela autoridade monetária. Há, portanto, um saldo em torno de US$ 3,3 bilhões no mercado.

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