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‘Estabelecer a idade mínima é algo inaceitável’

Presidente da Força Sindical critica propostas e diz que governo terá de passar primeiro pelo Fórum da Previdência

Entrevista com

Paulo Pereira da Silva, presidente da Força Sindical

O Estado de S.Paulo

07 Fevereiro 2016 | 03h00

Para Paulo Pereira da Silva, presidente da Força Sindical, as medidas em estudo para a Reforma da Previdência, como idade mínima e redução da diferença entre homens e mulheres, são nocivas aos direitos dos trabalhadores. “Não aceitaremos isso de jeito nenhum.”

O que o sr. acha das propostas de reforma da Previdência?

Essas medidas têm uma série de problemas. Igualar a idade de aposentadoria entre homem e mulher é uma injustiça, porque a mulher trabalha duas vezes. Não aceitaremos isso de jeito nenhum. Outro ponto é estabelecer a idade mínima, que é algo inaceitável. Ela penaliza principalmente quem começou a trabalhar antes. Se uma pessoa começou a trabalhar aos 16, vai trabalhar 44 anos, o que é uma coisa de maluco. Isso também penaliza os mais pobres, que geralmente começam a trabalhar mais cedo.

E quanto a igualar as regras da aposentadoria urbana e rural?

É um problema grave, porque uma coisa é você trabalhar no escritório, outra coisa é trabalhar na roça – é um sofrimento. As pessoas que trabalham na zona rural dificilmente conseguem chegar a 65 anos de idade. Por isso, seria uma injustiça. O déficit do setor rural vem basicamente de quando o governo deu, em 1988, na Constituição, o direito de Previdência aos trabalhadores rurais. Eles deveriam ter colocado esse gasto na conta da União, e não da Previdência.

Haverá mobilizações das centrais sindicais?

Daqui a alguns dias, teremos uma reunião do Fórum da Previdência em Brasília. O governo vai ter de passar pelo Fórum. Ele não pode de um dia para o outro mandar para o Congresso sem discutir as medidas. Além disso, as centrais sindicais vão se juntar em manifestações contra o governo, para tratar sobre a crise econômica, a reforma da Previdência e também a correção da tabela do Imposto de Renda. O governo quer agradar o mercado, mas vai desagradar principalmente a base que o apoiava.

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