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Estabilidade atraiu brasileiros para Madoff

Fundo que perdeu com fraude tinha rendimento razoável e constante

Patrícia Cançado, O Estadao de S.Paulo

20 de dezembro de 2008 | 00h00

O fundo de investimentos Fairfield Greenwich era o elo dos brasileiros que aplicaram na pirâmide do americano Bernard Madoff, preso na última semana em Nova York sob acusação de fraude que causou perdas de US$ 50 bilhões. Um advogado que colocou uma pequena parte dos recursos nesse fundo - que tem como clientes outros investidores e gestores que também aplicavam no fundo - conta que o perfil do Fairfield agradava investidores brasileiros. "Era muito parecido com um CDB e tinha liquidez de 30 dias. Ou seja, você podia resgatar o dinheiro em 30 dias, enquanto o prazo comum é 90 dias", conta o advogado, que passou os últimos dias debruçado sobre o assunto e pediu para não ser identificado. "Era quase como aplicar no Tesouro americano. Rendia 6% a 7% ao ano, só comprava ação de primeira linha e tinha hedge (proteção) nas duas pontas. Se a ação caía ou subia muito, ele não perdia nem ganhava muito. Por isso era tão regular."Essa regularidade, segundo o advogado, foi o que lhe conferiu tanta credibilidade. "O Fairfield era o único fundo do mundo que era gestor, custodiante e liquidante. E o mercado engoliu isso porque confiava muito no fundo."Poucos investidores brasileiros aplicaram diretamente no Fairfield, segundo ele. Como o fundo começou a fazer muito sucesso ao redor do mundo - entre seus maiores investidores estavam o cineasta Steve Spielberg e a família Botín, do Santander -, as cotas para entrar foram reduzidas. Os bancos comerciais, então, começaram a criar veículos para investir exclusivamente no Fairfield. No Brasil, as gestoras de recursos também não aplicavam diretamente. Elas pegavam dinheiro dos clientes e investiam nesses veículos. É por isso que o nome de muitos brasileiros não deve estar registrado nos documentos da empresa. Esse advogado, por exemplo, não tem relação contratual com o fundo. Segundo ele, a pulverização dificulta uma ação na Justiça. "A questão é: quem tem legitimidade para entrar com ação contra o Fairfield ou o Madoff? Eu, por exemplo, não tenho."O negócio era tão bom que os bancos ofereciam empréstimos para clientes aumentarem investimentos, diz o advogado. Se o investidor tinha, por exemplo, US$ 1 milhão para aplicar, o banco dava um empréstimo de outros US$ 1 milhão. Como o fundo tinha um rendimento regular - portanto, maior que o dos juros do empréstimo -, o negócio parecia vantajoso para as duas partes. "Ninguém sabe ainda quanto os bancos emprestaram. O problema é que a garantia para o empréstimo eram as próprias cotas do fundo, que agora viraram pó", relata.Reportagem publicada ontem pelo Wall Street Journal diz que o Fairfield pode ter sido figura central nas fraudes por sua capacidade de atrair bilhões de dólares além da Flórida e Nova York. Quase metade do seu patrimônio estava aplicado no esquema. No total, US$ 7,5 bilhões. O fundo, criado por Walter Noel, casado com a brasileira Mônica Haegler, tem negado qualquer relação de intimidade com Madoff.

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