Estabilidade da confiança do consumidor surpreende

O Índice Nacional de Expectativa do Consumidor (Inec), da Confederação Nacional da Indústria (CNI), deixou de cair em março. Em fevereiro e no mês passado o indicador ficou em 100 pontos - marca que separa o campo positivo do negativo -, depois de cair por quatro meses consecutivos. Mas não há indícios de que seja mais do que um fenômeno temporário, quando se constata que os fatores que empurram o consumo para baixo continuam presentes.

O Estado de S.Paulo

10 de abril de 2015 | 02h04

A consulta feita com 2.002 consumidores de 142 municípios abrange 6 pontos, dos quais 2 foram positivos. Um deles: entre fevereiro e março as expectativas quanto ao comportamento da inflação melhoraram 10,5% - algo surpreendente quando se constata que a última pesquisa Focus, do Banco Central, mostrou que os agentes econômicos consultados esperam inflação de 8,2% em 2015 - e o IPCA já chegou a 8,13% em 12 meses até março.

O segundo item positivo é a disposição de comprar bens de maior valor, que subiu 9,9% no mês e 6,8% em relação a março do ano passado. Neste caso, o que é mais surpreendente é o contraste com outros indicadores.

A expectativa de queda da renda pessoal foi de 11%, chegando a 20,2% em relação a março de 2014. A situação financeira piorou 10,6% no mês e 19,6% em 12 meses. E o endividamento se agravou 4,3% no mês e 10,2% sobre março de 2014. Só a expectativa melhor quanto ao emprego nos próximos seis meses pode explicar a disposição de adquirir bens mais caros.

A pesquisa da CNI também contrasta com outros indicadores do mercado de trabalho: desde setembro as empresas vêm cortando pessoal, um fenômeno que ocorreu primeiro na indústria, depois na construção civil e, afinal, nos serviços. Com a exceção do Inec de março, diminuiu a confiança e pioraram as expectativas acerca da evolução da renda real - o que está refletido em todos os índices da Fundação Getúlio Vargas. E, sem a perspectiva de um salário melhor, o consumidor tende a comprar menos.

Uma decomposição do Inec mostra que as pessoas com nível superior ouvidas na pesquisa estão mais apreensivas com a inflação e com o desemprego do que aquelas que têm até o 4.º ano do ensino fundamental. E quem tem nível superior começou a reduzir ou a manter o endividamento, o que explica sua menor disposição de consumo.

Parece provável que a estabilização do Inec seja transitória.

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