Estabilidade no emprego é reflexo da redução de investimentos

A estabilidade na taxa de desemprego na Região Metropolitana de São Paulo (RMSP), que manteve o patamar de 17,5% da População Economicamente Ativa (PEA) e representou um contingente de 1,757 milhão de desempregados em junho, é um reflexo direto da redução de investimentos e nível de atividade da economia contida, sobretudo, pela política monetária adotada pelo governo, conforme apontam os técnicos do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) e da Fundação Seade, responsáveis pela elaboração da Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED), divulgada hoje."Para conter o nível de atividade, a política monetária adotada pelo governo se mostrou eficiente", comentou o diretor-técnico do Dieese, Clemente Ganz Lúcio. "Porém, do ponto de vista do emprego, isso é perverso. A capacidade de geração de postos de trabalho, em junho, deveria ser maior do que o registrado. Há uma frustração porque a expectativa era de melhora do nível do emprego nesta altura do ano, e não estabilidade da taxa, repetindo o nível de maio e abril, meses que tradicionalmente apresentam taxas de desemprego mais elevadas do que o mês passado", acrescentou o coordenador de Análise de Pesquisas da Seade, Alexandre Loloian.De acordo com Lúcio, alguns fatores negativos chamaram a atenção em junho, como o corte muito forte do número de empregos no Comércio, setor que apresentou 44 mil demissões. Tal número foi tão elevado, que superou em 15 mil postos de trabalho o total de empregos criados pelos Serviços (17 mil), Indústria (5 mil) e Outros Setores (7 mil), compostos por Construção Civil e Serviços Domésticos. "Seriam naturais demissões no Comércio em junho, mas não na proporção registrada", disse.Segundo a PED, a diminuição dos postos de trabalho em Comércio apresentou destaque para estabelecimentos que vendem produtos não-duráveis, como alimentos e vestuário, enquanto houve uma ligeira expansão no segmento que comercializa produtos ou mercadorias duráveis e que utilizam o crédito para viabilizar as vendas aos consumidores.Na comparação de junho deste ano com o mesmo mês do ano passado, o nível de ocupação nas lojas caiu 3,6% e, no setor de Alimentos, Bebidas e Fumo, ocorreu uma queda de 16,3%. No grupo classificado pela pesquisa como "Outros", que inclui áreas, como Móveis, Produtos Farmacêuticos e Iluminação, entre outros, houve uma expansão de 4,6%.Na avaliação de Lúcio, a estabilidade no nível emprego em junho, em relação aos dois meses anteriores, é "preocupante", porque não traz sinais claros de recuperação do nível de emprego no curtíssimo prazo. "É só ver que, em junho, ocorreu uma queda de 31 mil pessoas com carteira de trabalho assinada e houve um aumento próximo de 38 mil postos de trabalho ocupados por autônomos", informou. "Além disso, as horas extras estão estáveis. Tudo isso indica que não há sinais evidentes de aquecimento do mercado. Tudo está estável, mas no fundo do poço", comentou.

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