Estabilização forçada do mercado imobiliário

Os preços pedidos por imóveis nas principais cidades brasileiras aumentaram, em média, 0,55% entre agosto e setembro e 9,16% nos últimos 12 meses, segundo o Índice FipeZap, elaborado pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), da USP, e divulgado quinta-feira. Em São Paulo, os aumentos foram, respectivamente, de 0,4% e 10,26%. Na sexta-feira, o sindicato da habitação (Secovi) revelou os números de agosto sobre o comportamento do mercado imobiliário na capital e região metropolitana de São Paulo, mostrando que houve recuperação em relação a julho, mas na comparação com 2013 os resultados são negativos.

O Estado de S.Paulo

07 de outubro de 2014 | 02h04

Os indicadores de preços pedidos e os do comportamento efetivo do mercado são compatíveis: com vendas menores, os preços pedidos são mais moderados. Trata-se de valores pedidos, mas nem sempre praticados. Nas promoções de vendas de imóveis frequentes na capital, desde 2013 há fortes descontos em relação aos preços pedidos.

Em São Paulo, as vendas de imóveis residenciais novos, de 1.797 unidades, foram 30% inferiores às de agosto de 2013, mas superaram em 144,2% as de julho. Na região metropolitana, em relação a agosto de 2013, as vendas de imóveis de um dormitório caíram 16%; as de dois dormitórios, 51%; e as de três dormitórios, 52%.

Os lançamentos, na capital, caíram 30% em relação a agosto de 2013, mas aumentaram 117,4% em relação a julho (de 973 para 2.115 unidades). Os números mostram que muitos incorporadores acreditam numa retomada do mercado, apesar da redução da velocidade de vendas. Na média dos últimos anos, quase 60% das vendas de imóveis novos ocorrem em 12 meses, mas desde março esse ritmo é declinante, chegando a 48,6% em agosto.

A comercialização em ritmo lento significa que os empreendedores têm de tomar mais recursos de terceiros, o que afeta a rentabilidade das empresas. Em 12 meses, até o dia 3, o índice de cotações de ações imobiliárias recuou 17,6%, enquanto o Ibovespa ganhou 3,9%.

A tendência de estabilização de preços medida pelo Índice FipeZap mostra que os empreendedores lutam para não sacrificar mais as margens num momento em que a crise de confiança afeta tanto a economia como a disposição dos compradores de tomar empréstimos de longo prazo. Cabe notar que no mercado paulistano os problemas são ainda maiores, decorrentes das mudanças do Plano Diretor.

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