Estácio faz a maior aquisição de sua história e reforça presença em SP

Empresa comprou a Uniseb, do empresário Chaim Zaher, por R$ 615 milhões; o negócio reforça a presença da Estácio no mercado paulista com ensino à distância; em 2010, Zaher vendeu o sistema de ensino COC para os ingleses da Pearson

NAIANA OSCAR, O Estado de S.Paulo

13 de setembro de 2013 | 02h06

A Estácio, segunda maior empresa de educação do País, fechou ontem a maior aquisição de sua história e anunciou sua chegada definitiva ao mercado paulista. A companhia comprou por R$ 615 milhões a Uniseb, sediada em Ribeirão Preto e com 164 polos de ensino à distância espalhados pelo Estado, boa parte deles na capital. "É, com certeza, nosso investimento mais importante", disse o presidente da Estácio, Rogério Melzi. "De uma vez só, atingimos vários objetivos."

Com faturamento de R$ 107,8 milhões no ano passado, a Uniseb pertence ao empresário Chaim Zaher, fundador da marca de ensino COC, que foi vendida em 2010 para a Pearson, uma das maiores companhias de educação do mundo, dona do Financial Times e da revista The Economist.

O negócio anunciado ontem é uma clara reação da empresa carioca à megafusão divulgada em abril deste ano que criou a maior empresa de educação do mundo com a união de Kroton e Anhanguera.

As conversas com o dono da Uniseb começaram cerca de 20 dias depois do anúncio que surpreendeu o mercado e, especialmente, os executivos da Estácio. Segundo fontes do setor de educação, a companhia estava em negociações avançadas com a Anhanguera para unir as operações das duas empresas, quando ela fechou com a Kroton.

"A expectativa era mesmo de que, depois da megafusão, a Estácio anunciasse um negócio de peso para fazer frente ao movimento das concorrentes", disse Carlos Monteiro, da CM Consultoria, especializada em educação. "Se ela não tomasse essa iniciativa agora, deixaria de ser compradora para se tornar um alvo."

Controlada pela GP Investimentos desde 2008, a Estácio sempre optou por comprar universidades menores, privilegiando a expansão geográfica. Desde 2010, quando a GP decidiu retomar as aquisições, a empresa comprou 11 instituições em 8 cidades. A mais cara de todas foi a Facitec, do Distrito Federal, comprada em abril deste ano por R$ 29 milhões.

Além de ter sido a aquisição mais relevante da história da Estácio, a compra da Uniseb também é uma das mais inflacionados do setor se considerado o preço pago por aluno. Em agosto deste ano, a Laureate pagou R$ 14,7 mil por estudante da paulistana FMU, que foi considerado o preço mais alto pago nas transações até então. Para ficar com a Uniseb, a Estácio desembolsou R$ 16,2 mil por aluno.

O diretor financeiro da companhia, Virgilio Gibbon, justifica que esse indicador não dá a dimensão do negócio fechado ontem. A aquisição da Uniseb, segundo ele, é estratégica para a empresa por vários motivos. Além de marcar a entrada da Estácio no mercado paulista, reforça a presença do grupo no ensino à distância (EAD). Hoje, a Estácio tem seis unidades em São Paulo e apenas um polo de ensino à distância na cidade de Ourinhos. A Uniseb tem 57 polos de EAD no Estado, com 33,4 mil alunos. "O potencial de crescimento é gigantesco", diz o executivo. "A Estácio mantém uma média de 1,2 mil estudante por polo de ensino à distância, enquanto a Uniseb tem cerca de 300 alunos."

Tecnologia. A explicação para essa disparidade está na tecnologia usada pelas duas empresas. A Estácio trabalha com ensino totalmente online, o que significa que os alunos precisam comparecer presencialmente na unidade apenas duas vezes no semestre para fazer avaliações. A Uniseb, por sua vez, oferece cursos telepresenciais: o professor dá aula em um estúdio e os alunos acompanham de uma sala ou auditório.

Com a aquisição, a Estácio adicionará ao seu portfólio 164 novos polos de ensino à distância aos 52 que ela administra hoje. A base de alunos de EAD da companhia passará de 58,8 mil para 92,2 mil nesta modalidade. O número, no entanto, não chega perto da líder Kroton, que, sozinha, tem 352 mil estudantes somente no ensino à distância.

Além dos polos, o negócio engloba o câmpus da Uniseb em Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, mas não inclui outras três unidades em Maceió, São Paulo e Brasília.

Ontem, depois de assinar o contrato no escritório dos advogados em São Paulo, Melzi e Zaher voaram no jatinho do dono da Uniseb para Ribeirão Preto e ficaram até o início da noite dando a notícia para funcionários, professores e alunos, na sede do grupo. A integração começa assim que as empresas tiverem o aval dos órgãos reguladores. /COLABOROU DAYANNE SOUSA

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