Ricardo Moraes/Reuters
Ricardo Moraes/Reuters

Estácio faz BO contra violação de dados

O material vazado continha mensagens eletrônicas entre o presidente da empresa e a advogada Paola Pugliese, que assessorava a empresa perante o Cade no âmbito da fusão com a Kroton

O Estado de S.Paulo

20 de abril de 2017 | 22h55

A Estácio prestou queixa policial sobre a violação de dados e dispositivos de informática utilizados pelo seu presidente, Pedro Thompson, após concluir investigação sobre o vazamento de mensagens entre o executivo e uma advogada sobre a fusão com a Kroton Educacional.

O Boletim de Ocorrência (BO), registrado na terça-feira na 16.ª Delegacia de Polícia do Rio de Janeiro, cita fortes indícios de que o computador antigo de Thompson tenha sido acessado pelo ex-funcionário de TI da empresa, Israel Silva, em conjunto com o funcionário da área de Operações, Luiz Walnei, conforme cópia do documento obtida nesta quinta-feira, 20, pela Reuters. Procurada, a Estácio não comentou.

Violação. Informações contidas no BO apontam evidências de que o ex-presidente da Estácio, Rogério Melzi, teria participação ou relação direta com a suposta violação da máquina de Thompson e, consequentemente, com o vazamento das informações, de acordo com investigação conduzida pela israelense ICTS em parceria com auditoria interna da empresa.

Melzi disse que foi informado do curso das investigações pela imprensa e que em nenhum momento foi contatado ou questionado pela Estácio. “Não posso comentar sobre essa notícia porque tem uma investigação em curso e preciso aguardar as informações necessárias”, afirmou.

Ele deixou a presidência da empresa em junho do ano passado, quando a Kroton ainda disputava com a rival Ser Educacional uma fusão com a Estácio. Melzi foi substituído por Chaim Zaher, segundo maior acionista da empresa, que renunciou no início de julho. Thompson exerceu o cargo interinamente até ser eleito presidente no fim de setembro.

O material vazado continha mensagens eletrônicas entre Thompson e a advogada Paola Pugliese, que assessorava a empresa perante o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) no âmbito da fusão com a Kroton.

O presidente da Estácio foi afastado do grupo de trabalho no Cade em 17 de março, e a israelense ICTS foi contratada para investigar o caso no dia seguinte. Em 12 de abril, a empresa informou que investigação interna apontou não haver evidências de que Thompson teria trabalhado para inviabilizar a fusão. /REUTERS

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