Tasso Marcelo|Estadão
Tasso Marcelo|Estadão

Estácio reverte lucro e tem prejuízo de R$ 20 milhões

Resultado foi afetado por ajustes contábeis que reduziram o resultado líquido em R$ 99 milhões no trimestre

Dayanne Sousa, O Estado de S.Paulo

12 de agosto de 2016 | 08h14

SÃO PAULO - A companhia de educação Estácio reportou prejuízo líquido de R$ 19,9 milhões no segundo trimestre de 2016, revertendo um lucro de R$ 133 milhões do mesmo período do ano passado. O resultado foi afetado por ajustes contábeis que reduziram o resultado líquido em R$ 99 milhões no trimestre.

No acumulado do primeiro semestre, a companhia obteve lucro de R$ 108,1 milhões, recuo de 58,5% ante os mesmos meses do ano anterior. O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização)atingiu R$ 43,6 milhões entre abril e junho deste ano. O montante é 74% menor do que o do mesmo intervalo de 2015. Em seis meses, o Ebitda chega a R$ 240,7 milhões, queda de 33,1%.

Também no Ebitda, houve impacto dos ajustes, da ordem de R$ 105,7 milhões. Os ajustes se referem à política de provisionamento, contingências, inventários e baixa de ativos fixos, entre outros. A receita da Estácio no segundo trimestre alcançou R$ 835,3 milhões, aumento de 7,2% na comparação anual.

No semestre, a receita acumulada é de R$ 1,624 bilhões, crescimento de 9,3%. Os resultados da Estácio foram afetados por uma série de revisões, que impactaram os números do segundo trimestre, mas também os resultados de 2014, 2015 e do primeiro trimestre de 2016. Segundo a companhia afirmou em comentário sobre os números, foi constatada "a existência de eventuais inconsistências em demonstrações financeiras e processos operacionais".

"Foram identificados e mensurados erros que afetaram tanto o resultado do segundo trimestre de 2016, quanto o resultado de exercícios anteriores", disse a empresa. A nova administração, que começou a mudar em abril deste ano, disse ter identificado "transações consideradas não compatíveis com os padrões e políticas da companhia". 

Entre os ajustes anunciados para os resultados de exercícios anteriores, o principal impacto veio de revisão no provisionamento de recebíveis de alunos, cujos contratos foram considerados em situação inadequada. Há ainda efeitos de despesas de publicidade e propaganda e créditos tributários expirados de empresas adquiridas. 

A Estácio tem passado por uma série de transições nos últimos meses. Em abril, o Conselho foi modificado. Conforme reportou o Broadcast, notícias em tempo real do Grupo Estado, fontes do setor viam um crescente embate entre conselheiros, um deles o empresário Chaim Zaher, um dos principais acionistas, e a diretoria da época. Em junho, enquanto a companhia era disputada para uma fusão pelas concorrentes Kroton e Ser Educacional, foi anunciada a renúncia do então presidente, Rogério Melzi.

Impactos semelhantes afetaram também o resultado do segundo trimestre de 2016. Mais uma vez, o principal efeito veio de alunos considerados em situação irregular, conforme afirmou a companhia. O impacto veio de alunos que tinham o Fies. Segundo a Estácio, 6 mil alunos ativos não possuíam o desempenho acadêmico necessário para participar do Fies, mas vinham sendo reportados como aptos até então.

Ainda neste segundo trimestre de 2016, houve o impacto negativo da revisão da base de contingências da companhia, a qual, conforme a empresa, foi feita levando em conta premissas de mercado. Houve também baixa de ativos fixos do inventário e outras revisões de critérios e estimativas.

 

Tudo o que sabemos sobre:
Estácio

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.