Estácio tenta se organizar para crescer

Estácio tenta se organizar para crescer

Vice-líder em educação, que seria incorporada à Kroton, revê estratégias e busca assessor financeiro para voltar a pensar no longo prazo

Mônica Scaramuzzo e Fernando Scheller, O Estado de S.Paulo

05 Agosto 2017 | 21h00

A rede de ensino superior Estácio, segunda maior companhia privada de educação do País, deve contratar nos próximos dias um assessor financeiro para colocar o negócio em um rumo que, até um mês e meio atrás, estava descartado: o do crescimento. Há um ano, a Estácio havia decidido unir-se à Kroton e, de lá para cá, a ordem dentro da empresa era cortar custos e preparar a empresa para o novo dono. Mas o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) causou uma reviravolta nos planos ao barrar o negócio.

A decisão do órgão antitruste, tomada no dia 28 de junho, além de frustrar os planos da Kroton de se tornar líder isolada em educação, obrigou os administradores da Estácio a “virar a chave”. Depois de um ano preparando a empresa para ser incorporada pelo dono, eles tiveram de se reorganizar para garantir que a companhia siga relevante em um momento difícil. Agora, o grupo quer ir às compras.

Um dia após o Cade barrar a fusão, os acionistas da companhia se reuniram para discutir o futuro da Estácio. “A Estácio tem condições de se tornar uma consolidadora do setor. Mas precisa fazer ajustes e melhorar resultados”, disse João Cox, presidente do conselho de administração da empresa, ao Estado.

Durante o “boom” da economia, a empresa expandiu-se para cidades que tinham poucas opções de curso superior, captou milhares de estudantes, mas o valor médio de suas mensalidades é considerado baixo. Nos últimos meses, ainda quando a fusão estava em pé, passou a rever custos para entregar uma operação “redonda” à Kroton. Mas ainda há muito a fazer.

 

Entre as quatro companhias de educação listadas na Bolsa – Kroton, Anima e Ser Educacional –, a Estácio é a que apresenta a menor rentabilidade, admite Pedro Thompson, presidente executivo do grupo. Apesar de a companhia ter tido bons resultados no segundo trimestre, Thompson disse que a Estácio terá de continuar os ajustes, com corte de custos e mudanças na gestão, para tornar a empresa rentável. 

Esse processo, segundo ele, deverá ocorrer ao longo deste ano e de 2018. Segundo uma fonte, o processo de ajustes pode se tornar mais desafiador daqui em diante, pois a empresa terá de voltar a fazer investimentos que, no plano original, estariam a cargo da nova dona, a Kroton.

Novas regras. Além de traçar estratégias de negócio e fazer aquisições, a Estácio também quer organizar sua governança. Uma assembleia no dia 31 vai propor uma mudança em seu estatuto. A meta é exigir que o investidor que superar 20% de participação na Estácio pague um ágio de 30% pelas ações. A iniciativa, segundo Cox, visa a preservar os atuais acionistas. 

Sócio relevante da Estácio, com 9,72% do capital, o empresário Chaim Zaher não concorda com esse “pedágio”. Zaher disse que tinha a intenção de aumentar sua fatia atual. “Não sei se chegaria a 20%, mas o fato é que eu acredito na empresa”, afirmou, acrescentando que a ideia do conselho pode espantar potenciais investidores. 

No ano passado, o empresário se posicionou contra a venda para a Kroton e tentou se movimentar para ficar com o controle e impedir o negócio. Ele disse que sempre pensou na Estácio como potencial consolidadora do setor. Além de Zaher, os fundos Oppenheimer, Coronation e Fidelity também são acionistas relevantes da empresa.

O fundo americano Advent, ex-sócio da Anhanguera (hoje parte da Kroton), também fez movimento de compra de ações da companhia. Procurado, o Advent não comentou.

Para o consultor Carlos Monteiro, a Estácio tem condições de ampliar sua importância, mas ressalvou que, no passado, o plano de expansão desordenado prejudicou a companhia. Para Monteiro, os investidores têm interesse no setor como um todo e também olham concorrentes como Somos, Anima e Ser.

Cabe à Estácio, portanto, mostrar de alguma forma que é uma melhor opção que as rivais.

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