Estado continua a ter papel decisivo no país

Das 37 empresas chinesas na lista das maiores do mundo da Global500, só [br]4 não são estatais

Cláudia Trevisan CORRESPONDENTE PEQUIM, O Estado de S.Paulo

30 de agosto de 2010 | 00h00

PEQUIM

Trinta anos depois de a China iniciar o processo de reforma e abertura idealizado por Deng Xiaoping, o Estado continua tendo papel decisivo na economia do país, e essa foi uma das razões pelas quais Pequim conseguiu manter altos índices de crescimento em meio à pior crise mundial das últimas sete décadas.

Logo depois que a tempestade começou, em setembro de 2008, o governo chinês ordenou a realização de milhares de investimentos em infraestrutura e construção em todas as regiões do país. Grande parte dos recursos que alimentaram os canteiros de obras saiu de financiamentos concedidos pelos gigantescos bancos estatais, que dobraram o volume de novos créditos em 2009, para US$ 1,4 trilhão, cifra que equivale a 30% do PIB chinês na época.

Os grandes conglomerados controlados pelo poder público são os principais braços de intervenção do Estado na economia. Das 37 empresas chinesas que aparecem na lista das maiores do mundo da Global 500, da Fortune, só quatro não são estatais.

O setor com maior número de grandes empresas públicas é o financeiro, que aparece com sete representantes na lista da Fortune. Foram eles que abriram as torneiras desde o fim de 2008 e inundaram o país com o crédito necessário para a realização de obras que se multiplicaram em todas as províncias.

O segundo maior grupo é o de petróleo, com quatro estatais, entre as quais a Sinochem, que em maio comprou da norueguesa Statel Oil 40% do poço de petróleo Peregrino, no Brasil, em um investimento de US$ 3 bilhões.

As demais empresas controladas pelo Estado que aparecem na Global 500 se espalham pelos setores de eletricidade, telecomunicações, aço, automobilístico, construção, ferrovias, estaleiro, metalurgia e minérios, construção, trading, aviação e alumínio.

Elite. O espaço do setor privado aumentou de maneira considerável nos últimos 30 anos e hoje corresponde a mais da metade do PIB chinês. Mas o Estado manteve seu poder econômico. Em 2008, havia no país 110 mil estatais, que empregavam 64,5 milhões de pessoas, de um total de 302 milhões de trabalhadores urbanos. Dez anos antes, eram 238 mil empresas que tinham em suas folhas de pagamento 90,6 milhões de funcionários.

A ideia do governo é reduzir ainda mais o número de estatais e manter um grupo de elite que seja lucrativo e possa competir globalmente. A abertura de capital na Bolsa de Valores é um dos passos para aumentar a eficiência das empresas, na medida em que exige mais transparência de seus administradores. Outra medida é impor a concorrência entre duas ou mais estatais do mesmo setor, algo que já ocorre em telecomunicações, petróleo e bancos, por exemplo.

A empresa chinesa mais bem colocada na Global 500 é a estatal petroleira Sinopec, que tem 640 mil empregados e aparece em nono lugar entre as maiores companhias do mundo. A maior empresa de energia elétrica da lista, em 15.º lugar no ranking, é a State Grid, que acaba de investir US$ 1,73 bilhão na compra de concessionárias de transmissão de energia no Brasil.

A China abandonou o forte planejamento central que vigorou durante os anos de Mao Tsé-tung, no qual o Estado definia a cota de produção de todas as fábricas e brigadas rurais do país. Porém as linhas mestras do desenvolvimento de longo prazo continuam a ser definidas em planos quinquenais, seguidos por todos os escalões de poder.

O próximo vai cobrir o período de 2011 a 2015 e deverá ter como foco o estímulo ao consumo doméstico e à redução da crescente desigualdade de renda entre ricos e pobres, entre campo e cidade e entre o leste e o oeste do país. / C.T.

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