'Estado deve ser o piloto do processo'

O secretário-geral do Fórum Internacional dos Transportes na Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), José Viegas, diz que os investimentos em infraestrutura de transporte têm de ser feitos em projetos com maior efeito multiplicador. Viegas também afirma que o Estado tem de ser o piloto de todo o processo. A seguir, trechos da entrevista concedida ao Estado.

Entrevista com

O Estado de S.Paulo

29 de setembro de 2013 | 02h07

Como o investimento na infraestrutura de transporte pode estimular o crescimento?

Um sistema carente em termos de transporte e infraestrutura sempre acrescenta custos e incertezas. Esse investimento é muito útil para as empresas se tornarem mais competitivas para que, tanto no mercado interno como na exportação, haja uma eficiência produtiva, maior competitividade e, no final, melhor condição de vida para a população. O investimento precisa ser feito com muito critério. Tem de fazer o investimento onde os projetos têm maior efeito multiplicador porque eles vão se conectar com um monte de coisas.

Algum país com deficiência em infraestrutura foi bem-sucedido em dar uma guinada?

Esse investimento começou nos anos 60 e 70 em alguns países. A Suíça é o país com o índice de competitividade número um do mundo. E um dos aspectos é a qualidade do transporte. Embora seja um país muito menor do que o Brasil, por exemplo, é muito montanhoso e teria todas as justificativas para o transporte funcionar mal. Existem outros países que conseguiram vencer tremendas dificuldades de clima, como Suécia e Finlândia, com sistemas logísticos adaptados, que funcionam de forma diferente no verão e no inverno.

Qual é a fórmula para desenvolver a infraestrutura?

Você sempre tem de ter o Estado como o piloto do processo. O Estado é que tem de definir o que é o interesse público. Mas, em alguns casos, o Estado não tem toda a capacidade financeira necessária para fazer os investimentos na velocidade que seria desejável. Apesar disso, o governo tem de ser capaz de identificar quais são os projetos cuja rentabilidade em termos de demanda potencial são suficientes para atrair o investimento privado, e depois tem de ter uma coisa que não é fácil e nem todos os países têm: a competência técnica na administração pública, que permita conversar olho no olho com grandes empresas.

Qual é o investimento desejável em infraestrutura de transporte?

Depois da 2.ª Guerra, a Europa andou por algumas décadas investindo 1,5% do PIB. Hoje, alguns países do Sudeste Asiático estão crescendo bem e investindo entre 1,5% e 2%. Os EUA e a Europa investem abaixo de 0,8% e isso não é suficiente. A estrutura já é boa, mas ela está se degradando. Mesmo quem já tem uma infraestrutura boa, não deve investir abaixo de 1%. E não basta investir esse dinheiro, tem de saber investir bem.

A saída é uma união de todos os modais para melhorar a infraestrutura?

No caso do Brasil, eu não tenho dúvida nenhuma: é usando todos os modais. O Brasil tem uma rede ferroviária relativamente pequena para a extensão do território, mas tem uma rede hidroviária que pode ser muito interessante. / L.G.G.

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