Marcos de Paula/Estadão
Marcos de Paula/Estadão

Estados que vendem commodities se saem melhor na crise, avalia agência Fitch

Para agência de rating, exportadores são favorecidos pela alta do dólar e reforçam o caixa dos governos estaduais

Gabriel Bueno da Costa, O Estado de S.Paulo

08 Dezembro 2015 | 02h03

A agência de classificação de risco Fitch disse que, conforme a economia continue a recuar - aproximadamente 3% em 2015 e 2% em 2016, segundo a agência -, o impacto nos Estados variará, dependendo de suas fontes de receita.

Os Estados impulsionados pelas atividades de commodities (matérias-primas para exportação) devem se sair melhor, seguidos por aqueles que se apoiam na demanda doméstica. "Os Estados com processos fracos de arrecadação de impostos devem se sair pior", afirmou a agência em nota.

"Os Estados impulsionados por commodities continuarão a se beneficiar do crescimento da exportação puxado pela depreciação do real", disse a Fitch. Em alguns Estados, as atividades relacionadas às exportações representam até 50% da economia. Mesmo diante de isenções fiscais, as exportações apoiam também outros setores. Estados como Espírito Santo, Goiás e, em alguma medida, Santa Catarina estão nesse grupo. "Alguns estão considerando a elevação de tarifas."

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'Todos os 26 Estados brasileiros e o Distrito Federal precisarão continuar a conter os gastos para lidar com a receita muito mais baixa'
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Receitas. São Paulo, Minas Gerais e Rio Grande do Sul são exemplos de grandes Estados que confiam na demanda doméstica para gerar receita. "Eles enfrentam o mesmo risco de baixa do País", disse a Fitch.

A proposta do governo de São Paulo de elevar impostos sobre produtos não essenciais, por exemplo, não será suficiente para fortalecer a receita tributária, disse a agência.

"Além disso, nós não esperamos benefícios significativos dos esforços para conter os mercados informais e coletar impostos sonegados", informou a nota da agência.

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'Os Estados impulsionados por commodities continuarão a se beneficiar do crescimento da exportação puxado pela depreciação do real'
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Os Estados que apresentam desempenho mais fraco na coleta de impostos sofrerão mais. "Alguns já têm sofrido com os preços baixos do petróleo e a dependência relativamente alta das transferências federais", disse a agência, que citou nesse grupo Rio de Janeiro, Pernambuco e Maranhão. O Rio de Janeiro depende dos royalties do setor do petróleo, enquanto Pernambuco e Maranhão dependem mais das transferências federais.

Gastos. "Todos os 26 Estados brasileiros e o Distrito Federal precisarão continuar a conter os gastos para lidar com a receita muito mais baixa", informou a nota da Fitch.

A agência disse que, até agora, isso tem significado a fusão de departamentos e o fechamento de outros, a demissão de trabalhadores temporários e o congelamento de investimentos financiados pelos Estados. "Esses passos reduzirão o gasto geral em 20% em 2015", segundo a Fitch.

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