Estados Unidos acusam Europa de apoio ilegal à Airbus

O governo dos Estados Unidos e a Boeing acusam a Europa de ter dado um apoio equivalente a US$ 100 bilhões à Airbus para que a empresa pudesse se tornar líder mundial. A acusação foi feita nesta quarta-feira, 21, em Genebra perante os árbitros que julgam a disputa entre Washington e Bruxelas por causa do apoio ilegal dado pelos governos às suas empresas de aviação. Se confirmado, o valor dos subsídios seria dez vezes maior que toda a produção (PIB) da Bolívia em um ano.Tanto os americanos como europeus se acusam mutuamente de terem dado subsídios acima do permitido às suas companhias para que pudessem ganhar contratos no exterior e desenvolvessem novos jatos. A guerra, que ainda levará meses para ser solucionada, já havia começado nos anos 90, mas os dois governos chegaram a um acordo sobre o patamar máximo que poderia ser adotado no valor dos subsídios. O problema é que tanto a Europa como os Estados Unidos alegam que o teto estabelecido não foi respeitado. Uma das críticas dos americanos é de que a Europa teria feito empréstimos com juros bem abaixo do mercado, o que seria uma forma de subsídio. Sem esse esquema, os americanos apontam que a Airbus não teria tido as condições de lançar seus novos aparelhos, como o A380. No total, os europeus teriam dado US$ 15 bilhões para o lançamento de jatos em condições preferenciais. O dinheiro, se fosse adquirido em bancos comerciais, teria custado à Airbus mais de US$ 100 bilhões. Os europeus garantem que a competitividade da empresa não está condicionada aos subsídios e que Washington também disponibiliza recursos à Boeing por meio de contratos militares. Segundo Bruxelas, essa teria sido a forma que os americanos encontraram para camuflar os subsídios.Na Europa, a principal preocupação é com os subsídios dados para o modelo 787 da Boeing. Bruxelas alega que o dinheiro dado à pesquisa teria sido dez vezes maior que o que a Airbus recebeu. Já os americanos querem saber como a Europa planeja financiar o A350 que competirá com o novo produto da Boeing. Os dados apresentados nesta semana pelos governos serão avaliados pelos árbitros, que então anunciarão se americanos e europeus terão de reformular suas leis e subsídios.

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