Doug Mills / The New York Times
Doug Mills / The New York Times

Estados Unidos e México fecham acordo preliminar no âmbito do NAFTA

EUA e México fecharam nesta segunda-feira, 27, um acordo para substituir o Nafta; negociações com o Canadá devem ter início em breve

Ana Swanson - The New York Times, O Estado de S.Paulo

27 Agosto 2018 | 15h02

Estados Unidos e México chegaram a um acordo de revisão de trechos importantes Nafta (Acordo de Livre Comércio da América do Norte) firmado há 24 anos, um passo crucial para renovação de  um pacto comercial que parecia à beira do colapso quando das negociações iniciadas no ano passado.

Alcançar um acordo de revisão de cláusulas mais litigiosas do que o presidente Trump tem chamado de o pior acordo da história constituirá uma vitória significativa para o presidente na guerra comercial que ele trava com vários países, incluindo México, Canadá, União Europeia e China.

Mas esse acerto preliminar entre Estados Unidos e México está distante de uma revisão real do Nafta. Ele exclui o Canadá, que também integra o bloco, mas se manteve ausente das conversações que se realizaram em Washington nas últimas semanas.

O acordo com o México se centraliza nas regras envolvendo o setor automobilístico, solucionando uma grande fonte de atrito, mas deixa de lado outros assuntos litigiosos que afetam os três países.  E ele também precisa de aprovação do Congresso antes de entrar em vigor, incluindo votos de parlamentares republicanos que têm criticado alguns dos planos do presidente para reformular o pacto.

Nesta manhã, pelo Twitter, Trump disse “um grande acordo que parece bom com o México!”. O tuíte foi postado depois de outros no final de semana em que ele fez alarde sobre as novas conversações com o México.

Muitas das mudanças apenas atualizam o acordo de modo a levar em conta os avanços da Internet e da economia digital desde que ele foi assinado pela primeira vez. Mas os assessores de Trump também pressionaram no sentido de grandes alterações nas regras que regem a manufatura de veículos, numa tentativa de trazer grande parte da produção do México de volta para os Estados Unidos.

Para desfrutarem de tarifas zero com base no NAFTA, as montadoras terão de produzir um número maior de carros nos Estados Unidos. E também terão de utilizar mais aço, alumínio e peças locais, e uma parte dos trabalhadores devem ganhar US$ 16  por hora no mínimo, o que constitui uma bênção para Estados Unidos e Canadá.

As conversações nos últimos dias estavam cambaleando por causa de um problema de interposição dessas regras com as tarifas automotivas adicionais que o presidente ameaçou estabelecer, como também as novas medidas que abririam o setor de gás e petróleo do México para empresas estrangeiras, disposições controvertidas dentro do recém-eleito governo mexicano que tomará posse em dezembro. Discursando no domingo, o secretário da Economia mexicano, Ildefonso Guajardo, afirmou que nos últimos dias Jesus Seade, chefe da delegação negociadora do México indicado pelo presidente recém-eleito, Andres Manuel Lopez Obrador, vinha trabalhando um acordo sobre energia com seu colega dos Estados Unidos.

Mexicanos e americanos estão ansiosos para chegar a um pacto inteiramente reformulado no final de agosto, prazo que daria ao governo Trump tempo suficiente para notificar o Congresso e ainda poderia ser assinado pelo presidente Enrique Peña Nieto.  Isto agora parece incerto diante da ausência do Canadá da mesa de negociação.

Mas os avanços nas negociações com o México deixam aliviadas as empresas americanas que dependem de acordos comerciais e vêm sendo afetadas pelos confrontos de Trump com os maiores parceiros comerciais dos Estados Unidos.

A decisão do presidente americano de impor tarifas sobre o aço e o alumínio colocou fabricantes, agricultores, varejistas e  outros setores no meio de uma guerra comercial uma vez que outros países estabeleceram tarifas retaliatórias também. O que eleva os custos das empresas americanas e reduz seu acesso a mercados externos.

Trump provocou muitas incertezas no âmbito das conversações sobre o NAFTA, acreditando que sua estratégia deixaria seus assessores em posição de vantagem na mesa de negociação. Ele impôs tarifas pesadas sobre o aço e o alumínio para Canadá e México e ameaçou com mais impostos sobre os seus carros. E tem levantado constantemente a idéia de temporariamente retirar o Canadá do acordo e transformar o NAFTA num pacto bilateral, entre Estados Unidos e México.

Embora o Canadá não tenha participado das recentes conversações, um potencial acordo bilateral parece bastante improvável diante da oposição do México, dos legisladores dos Estados Unidos e de setores norte-americanos cujas cadeias de suprimento dependem de todos os três países. Mas autoridades mexicanas e americanas esperam que os avanços agora obtidos sirvam de incentivo para o Canadá a voltar às negociações.

A conclusão da negociação depende agora de o Canadá voltar a conversar. As relações dos Estados Unidos com o Canadá estremeceram nos últimos meses com as repetidas críticas de Trump às práticas comerciais do país e os líderes canadenses têm insistido que não se apressarão para assinar um acordo que não os favorece.

Na sexta-feira a ministra do Exterior do Canadá, Chrystia Freeland, disse que o seu país ficará “feliz” de retornar às conversações quando Estados Unidos e México mostrarem avanços nos caso dos seus assuntos específicos.

“Quando as questões bilaterais forem resolvidas, o Canadá voltará a conversar sobre questões bilaterais e nossos assuntos trilaterais”, afirmou ela. /TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO

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