Estagnação afeta a captação de recursos

Famílias e empresas ajustam os orçamentos e separam cada vez menos recursos para o futuro, segundo os levantamentos do Banco Central sobre as cadernetas de poupança e as estatísticas da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) sobre os fundos. A estagnação da economia parece obrigar grande parte dos agentes econômicos a sacar recursos de suas reservas para quitar dívidas de custo elevado ou equilibrar o orçamento afetado pela inflação oficial, de 6,56% nos últimos 12 meses.

O Estado de S.Paulo

11 Dezembro 2014 | 02h05

O momento é de ajuste até para a aplicação mais conservadora, as cadernetas de poupança, cuja captação líquida foi de R$ 18,6 bilhões nos primeiros 11 meses de 2014, muito inferior à de igual período de 2013, segundo o Banco Central. Em novembro, a captação líquida das cadernetas no Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE), cujos recursos se destinam ao financiamento da casa própria, foram de R$ 3,6 bilhões, ante R$ 5,4 bilhões em igual período do ano passado. O saldo das cadernetas do SBPE foi de R$ 515 bilhões em novembro.

Os saques foram muito mais elevados nos fundos, cujo estoque total de quase R$ 2,38 trilhões cresceu apenas R$ 17,1 bilhões neste ano, até 3/12, segundo a Anbima. Mas, não fosse a captação líquida de R$ 26,5 bilhões dos fundos de previdência, o saldo anual seria negativo.

Entre as principais modalidades de fundos (exceto previdenciários), só aqueles com remuneração indexada ao DI - e, portanto, beneficiados pelo aumento da taxa básica de 10% ao ano, em 27/11/2013, para 11,75% ao ano, em 3/12/2014 - tiveram expressivo resultado positivo, com captação líquida de R$ 50,5 bilhões. Mas nem esta compensou as retiradas líquidas de R$ 28,8 bilhões dos fundos de renda fixa e de R$ 26 bilhões dos fundos multimercado. E os fundos de ações tiveram seu patrimônio reduzido em R$ 13,8 bilhões, num período de forte volatilidade das cotações.

Os saldos depositados em poupança e fundos ajudam a mostrar a situação de caixa dos agentes econômicos, notando-se que apenas uma parte dos recursos é de aplicações de longo prazo ou destina-se a investimentos. O que fica claro é a tendência de diminuição dos recursos disponíveis e, portanto, do poder de decisão dos aplicadores para consumir ou investir.

E, se a economia brasileira não recobrar fôlego, a situação tende a se repetir em 2015, afetando negativamente a formação de capital fixo.

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