DIDA SAMPAIO/ESTADÃO
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José Roberto Mendonça de Barros
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Estagnação, inflação e desorganização

Com o desmonte das regras fiscais, o crescimento populista dos gastos será a tônica de 2022

José Roberto Mendonça de Barros, O Estado de S.Paulo

28 de novembro de 2021 | 04h00

Não existem mais dúvidas: os dados recentes mostram que o próximo ano será marcado por estagnação, inflação acima da meta, mais uma vez, e uma enorme desorganização das regras fiscais federais.

As projeções recentes do PIB estão convergindo para um número próximo de 0,5%. Alguns poucos mais otimistas ainda trabalham com um número levemente superior a 1%. Só o governo trabalha com mais de 2% de crescimento para 2022. 

O ministro da Economia insiste em dizer que o mercado vai errar novamente, assim como errou no ano passado, quando projetou queda de 9%, ante o -4,1% estimado pelo IBGE. Entretanto, a observação do ministro é falsa: no final de agosto de 2020, quando o auxílio emergencial atingia mais de 60 milhões de pessoas, a projeção do Boletim Focus era de uma queda de 5,4% e a da MB, de 4,8%, não muito distante da real.

No que tange à inflação, também existe uma grande convergência nos números: projeta-se um crescimento do IPCA entre 4,5 e 5%. 

Com relação à área fiscal, não sabemos ainda a proposta final da PEC dos Precatórios, a popular “do Calote”, nem o formato definitivo do novo Auxílio Brasil. Entretanto, é seguro que todas as regras fiscais terão sido jogadas pela janela, e o crescimento populista dos gastos fiscais será a tônica do ano. Realmente ruim. 

* * * * *

Todos os brasileiros que sonham com a volta do crescimento precisam acompanhar o que está ocorrendo com a Itália. Em setembro, a produção industrial estava 3,1% maior do que o nível de dezembro/2019. Apenas para comparação, na mesma data a produção francesa era de 3,8% e a alemã, 7,6% menores. A indústria italiana sobrevivente, que continua relativamente grande, voltou a ser globalmente competitiva.

O sistema bancário italiano conseguiu reduzir os seus débitos não performados de € 203 bilhões, em 2017, para apenas € 45 bilhões no terceiro trimestre de 2021, e está recuperado.

A Itália, durante as últimas duas décadas, perseguiu uma austeridade fiscal muito forte, tendo tido consistentemente um superávit primário da ordem de 1,5% do PIB. Entretanto, agora o país poderá praticar uma política fiscal expansionista. Com a bênção dos alemães e dos holandeses, o país receberá recursos, nos próximos cinco anos, da ordem de € 200 bilhões do Fundo Europeu. Com isto, o investimento público deverá crescer. 

Finalmente, o ministro Draghi continua avançando em suas reformas. 

Embora muita coisa possa dar errado do ponto de vista político, a Itália tem uma chance única de voltar a crescer de forma sustentada. 

ECONOMISTA E SÓCIO DA MB ASSOCIADOS

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