Estagnação interna prejudica exportações, diz Anfavea

A atual estagnação da produção de veículos poderá dificultar investimentos e prejudicar as exportações do setor automotivo. A opinião é da vice-presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Elizabeth de Carvalhaes. De acordo com ela, a indústria exportará este ano US$ 4,8 bilhões, 20% da produção total de veículos. A intenção da Anfavea é elevar esse número em 40% nos próximos anos. O problema, segundo Elizabeth, é que o setor precisaria utilizar 85% da capacidade instalada, taxa que atualmente é de 60%.Além disso, o setor pede a ajuda do governo federal para costurar acordos bilaterais, especialmente com países europeus. "Se não conseguirmos fazer mais acordo bilaterais e combater a estagnação da indústria no mercado interno poderemos perder investimentos das empresas no País", disse ela.O México é, de acordo com Elizabeth, o principal competidor do País no mercado externo. Segundo ela, os mexicanos já se anteciparam ao Brasil e se aproximaram dos países europeus. Fica mais barato para o México importar peças da Europa do que do Brasil, segundo ela, por causa dos custos logísticos que diluem a competitividade dos produtos nacionais. "O México já ultrapassou o Brasil no que diz respeito ao comércio exterior do setor automotivo; é preciso que os acordos bilaterais avancem, que as viagens de representantes do governo brasileiro para outros países se intensifiquem", afirmou.MercosulElizabeth comentou também que as dificuldades do Mercosul travam as exportações nacionais. Atualmente, somente a fábrica da Volkswagen de Taubaté (SP) produz mais veículos do que toda a produção argentina, de 100 mil unidades por ano. "Fica difícil para o Brasil, que produz 1,8 milhão de veículos por ano, negociar com um parceiro que produz 100 mil", disse ela. "No entanto, é preciso fazer esforços para que o Mercosul se torne um bloco econômico crível", comentou, acrescentando que é "mais fácil" para o País negociar com a União Européia fazendo parte de um bloco econômico.

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