Estagnação na zona do euro representa grande risco ao crescimento global, diz OCDE

Em relatório sobre a perspectiva econômica, a organização projeta um crescimento de 0,8% do bloco em 2014; a entidade destacou a região é que mais inspira preocupações no cenário global

Fernando Nakagawa, O Estado de S. Paulo

25 de novembro de 2014 | 09h54

A zona do euro precisa de um amplo pacote de medidas, que inclua estímulos monetários e a flexibilização da disciplina fiscal, para afastar a ameaça de uma estagnação econômica persistente, afirmou a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), reforçando o alerta de que os problemas do bloco representam um grande risco para a economia mundial. Na mesma manhã, porém, saiu o Produto Interno Bruto (PIB) da Alemanha, que mostrou crescimento de 0,1%. Apesar de baixa, a alta representa a saída da Alemanha da recessão.

Em relatório sobre a perspectiva econômica, a entidade, que tem sede em Paris, destacou a zona do euro como a região que mais inspira preocupações no cenário global. Segundo a OCDE, o crescimento do bloco continuará sendo modesto e o desemprego permanecerá em níveis anteriores ao da crise financeira mundial. Além disso, há riscos de que a volatilidade financeira e a confiança fraca deteriorem ainda mais a situação da Europa.

Com o argumento de que a zona do euro é um grande risco para o restante do mundo e que está sujeita a sofrer mais com turbulências na economia mundial, a OCDE apelou a autoridade europeias que ajam de forma decisiva numa série de frentes.

"O ambiente de crescimento fraco e inflação baixa persistente exige uma abrangente resposta da política", disse a OCDE no documento.

Na avaliação da OCDE, o BCE precisa expandir suas compras de ativos, possivelmente passando a adquirir bônus soberanos em larga escala, como fizeram outros grandes bancos centrais, num esforço conhecido como relaxamento quantitativo. A OCDE também recomendou que países no centro da zona do euro façam reformas econômicas para ampliar a competitividade e que os ajustes fiscais sejam relaxados onde for possível.

Na semana passada, o presidente do BCE, Mario Draghi, elevou as expectativas de que haverá mais estímulos na zona do euro ao dizer que a instituição fará o que for necessário para conter a queda da inflação e que poderá ampliar suas intervenções. Nos últimos meses, o BCE reduziu suas principais taxas de juros para mínimas históricas e anunciou compras de bônus cobertos e títulos lastreados em ativos, conhecidos como ABS.

A OCDE prevê que o PIB da zona do euro crescerá apenas 0,8% este ano e 1,1% em 2015. No caso dos EUA, a entidade projeta crescimento mais robusto, de 2,2% em 2014 e de 3,1% no próximo ano.

Quanto à inflação, a OCDE prevê taxa de 0,6% na zona do euro este ano, ante 1,2% nos EUA, e que o euro poderá ser prejudicado pelo declínio dos preços. "A zona do euro está sujeita a enfrentar deflação se o crescimento estagnar ou se as expectativas de inflação caírem mais", disse.

A zona do euro, porém, não foi o único foco no relatório da OCDE. A entidade também destacou a fraqueza do Japão e reduziu suas projeções de crescimento para o país asiático, de 0,9% para 0,4% em 2014 e de 1,1% para 0,8% em 2015. Por outro lado, a OCDE afirmou que recentes medidas anunciadas em Tóquio, para ampliar estímulos monetários e adiar um aumento programado do imposto sobre consumo, "deverão manter a economia no rumo certo". 

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