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Estagnação ou piora fiscal em 2016 pode pressionar nota do Brasil, diz Moody's

Agência colocou nota brasileira em revisão na semana passada para possível rebaixamento em até três meses

Ricardo Leopoldo, O Estado de S.Paulo

15 de dezembro de 2015 | 19h00

Caso o Orçamento para 2016 mostre que o superávit primário ficará estável ou registrará déficit, esse quadro colocará pressões negativas sobre a nota soberana do Brasil, comentou Samar Maziad, analista sênior de risco soberano da Moody´s, em entrevista exclusiva ao Broadcast, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado. "Se o cenário fiscal e de queda do crescimento for mantido, como será possível manter o rating do Brasil?", indagou.

A agência internacional colocou o rating do País em revisão na semana passada para possível rebaixamento, o que poderá ser definido em até um trimestre a partir daquela decisão. A Moody´s estima que o País registrará déficit primário de 1% do PIB em 2015 e também em 2016 e prevê que o produto interno bruto recuará 3,5% neste ano e 3,0% no próximo.

De acordo com Samar, por outro lado, uma definição pelo Congresso de que o primário será de 0,7% do PIB, meta defendida pelo ministro da Fazenda, Joaquim Levy, poderá sinalizar que pode haver um início de reversão no médio prazo da tendência de piora das contas públicas registrada em 2015, o que "seria positivo" para o rating do País. Segundo ela, hoje é possível avaliar que a trajetória da dívida bruta como proporção do PIB é de "subir" entre 2015 e 2018. A Moody´s estima que esse passivo do governo alcançará 68,5% do PIB neste ano e 71,2% em 2016.

Na sua avaliação de analista de rating soberano do Brasil, Samar apontou que não seria bom sinal uma eventual saída do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, do governo. "O ministro trouxe muita credibilidade para a gestão da política econômica e em especial para a área fiscal", destacou.

Para a analista, o avanço do debate no Congresso para a abertura de processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff traria efeitos na economia, pois elevaria as incertezas de empresários para investir e das famílias para consumir. Neste contexto, ela pontuou que a avaliação por parlamentares de um impedimento da presidente colocará pressão sobre o rating do Brasil. 

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