Estaleiro de Cingapura critica sigilo da Petrobras em licitação

O sigilo da Petrobras em torno das empresas convidadas para a licitação das plataformas P-51 e P-52, lançada há duas semanas e que receberão investimentos de R$ 1 bilhão, está recebendo críticas do setor. "Apesar de não ter necessidade de divulgar os nomes, este sigilo causa estranheza. Por que não fazer o processo mais às claras?", disse José Roberto Simas, diretor do estaleiro Mauá-Jurong, filial nacional do estaleiro de Cingapura.Vencedor do contrato de US$ 244 milhões para a transformação do casco do navio Felipe Camarão na plataforma P-50 da Petrobras, o estaleiro Jurong ficou de fora da licitação P-51 e P-52.A estatal alega que quer manter sigilo sobre esta informação, já que não precisa seguir a lei federal de número 8.666, que trata de concorrências públicas.Simas disse que a diretoria internacional do estaleiro está cobrando informações da Petrobras sobre a ausência de um convite formal, já que possui projetos semelhantes aos da P-51 e P-52 em desenvolvimento. "Nada justifica o Jurong não ter sido convidado. Nem mesmo o conceito "obras demais na mesma cesta", pelo fato de o Jurong já estar com as obras da P-50, justificariam a ausência do convite, porque o estaleiro tem capacidade instalada para realizar as obras simultaneamente", afirmou.O executivo criticou os critérios utilizados pela Petrobras para selecionar as empresas participantes da concorrência. "Estamos reivindicando junto à diretoria da estatal nossa inclusão, mas como não foram divulgados os critérios de seleção, esta reivindicação fica difícil, porque nos deixa sem argumentos", disse. Uma lista extra-oficial que circula no setor indica que inicialmente dez empresas teriam sido convidadas. Apenas uma delas teria capital 100% nacional, a Construtora Odebrecht, que já confirmou o recebimento da carta-convite. Outras duas empresas nacionais, o estaleiro Promar e a construtora Andrade Gutierrez, também teriam pressionado a estatal para participarem da licitação, segundo informações de fontes do setor, mas ainda não confirmam o recebimento da carta-convite.O Grupo Fels-Setal, formado pela Keppel Fels, de Cingapura, e pela construtora paulista Pem Setal, que controla o estaleiro Verolme, de Angra dos Reis (RJ), também confirmou o recebimento de uma carta-convite. Além dessas e mais a Jurong, os nomes das convidadas, segundo a lista extra-oficial, seriam as coreanas Samsung, Daewoo e Hyundai (as duas últimas, responsáveis pela construção de cinco plataformas semelhantes ao projeto da P-51 e P-52 no mundo), a norueguesa Akker Kvaerner (responsável pela elaboração do projeto das plataformas), a norte-americana Technip, a sueca Asea Brown Boveri (ABB) e a espanhola ISA. "A Petrobras não tem obrigação de divulgar os nomes das concorrentes e qualquer acusação de que a estatal poderia beneficiar uma ou outra empresa com convite ou exclusão de determinado estaleiro não se justifica", disse o diretor da Pem-Setal, Augusto Mendonça. "Se houvesse beneficiamento de uma empresa ou de outra, isso poderia ser feito em várias etapas do projeto e não necessariamente nesta".

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