''Estamos animados com o que está por vir''

Eric Schmidt: presidente do Google; Para presidente do Google, que faz palestra hoje em Cannes, publicidade na internet tem muito a ser explorado

Entrevista com

Marili Ribeiro, O Estadao de S.Paulo

26 de junho de 2009 | 00h00

Um dos nomes mais esperados entre os vários convidados para palestras no Festival de Cannes é o presidente do Google, Eric Schmidt, que fala hoje para os profissionais presentes ao evento. Sua empresa, líder absoluta em buscas na internet, vem sendo bastante criticada nos últimos meses, acusada de ser uma "pirata da informação", por usar na internet as notícias produzidas em diversos meios sem nenhum pagamento. Schmidt diz que, na verdade, o Google está ajudando a indústria dos jornais. Antes de chegar a Cannes, Schmidt deu a seguinte entrevista ao Estado, por e-mail:Há alguns meses o senhor enfrenta duras críticas dos executivos de empresas jornalísticas, que dizem ser predatório o uso das notícias produzidas nos jornais pelo Google News sem nenhum pagamento. O que o sr. diz sobre isso?Acredito que nós, na verdade, estamos ajudando a indústria, e podemos fazer mais. Apesar de não haver uma solução mágica para os desafios que a indústria dos jornais enfrenta atualmente, acredito que estamos ajudando a atrair os usuários ao conteúdo dos jornais disponível na rede, e não contribuindo para o declínio da indústria.O Google lucra com o conteúdo dos jornais? A empresa não está, na verdade, usando material produzido pelas empresas jornalísticas para atrair audiência para seu portal de buscas? De uma maneira geral, acredito que os mecanismos de busca beneficiam os jornais porque conduzem um tráfego valioso para as suas páginas na internet, conectando-os a leitores de todo o mundo. Na verdade, o Google remete os leitores às páginas de diferentes editores de notícias ao ritmo de mais de um bilhão de cliques mensais. Uma vez que o leitor chega à página de um jornal na internet, nós também nos esforçamos para ajudar a publicação a obter renda com isso. Além disso, acreditamos que ambas as ferramentas, Google Web Search e Google News, estão de acordo com a lei de copyright - simplesmente redirecionamos os usuários para as páginas nas quais os textos se encontram. E, claro, se os editores decidirem que não desejam ver os seus sites relacionados nos resultados das buscas do Google, por exemplo, eles têm a liberdade de ficar de fora.As agências de publicidade não estão satisfeitas com as verbas publicitárias que movimentam na internet. Dizem que a maior dificuldade está nos portais de busca e seus links patrocinados (com preços módicos). Como o sr. avalia isso? As agências estão entre as nossas principais parceiras, e são cruciais para o crescimento da indústria publicitária. Partilhamos os mesmos objetivos - criar uma publicidade relevante e eficaz que envolva e inspire o consumidor. Além disso, numa época na qual os anunciantes procuram novas formas de chegar ao público e maximizar o retorno sobre cada centavo investido, as agências têm diante de si uma grande oportunidade de usar nossas ferramentas para demonstrar as suas vantagens sobre a concorrência num ambiente online voltado para o retorno sobre o capital investido. O que representa o mercado brasileiro para o Google? Enxergamos no Brasil uma imensa oportunidade de ajudar os anunciantes e as agências que os servem a atingir seu público com uma eficácia sem precedentes. Acreditamos que os anunciantes e as agências apenas começaram a se valer do potencial da publicidade online no Brasil, e estamos animados com aquilo que está por vir.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.