José Cruz/Agência Brasil
José Cruz/Agência Brasil

'Estamos em guerra para superar os efeitos da Carne Fraca', diz Blairo

Em entrevista para a imprensa estrangeira, o ministro da Agricultura reiterou que a investigação da PF são sobre a conduta de fiscais e não sobre a qualidade dos alimentos produzidos

Lu Aiko Ota e Letícia Pakulski, Broadcast

23 de março de 2017 | 20h41

BRASÍLIA - O ministro da Agricultura, Blairo Maggi, visitou nesta quarta-feira, 23, uma planta da BRF em Rio Verde (GO), acompanhado por representantes da imprensa chinesa. De acordo com o ministro, essa foi a primeira vez que aquela linha de produção recebia a visita de jornalistas. "Quando estamos numa guerra, as posições são flexibilizadas", comentou o ministro.

A planta visitada exporta para a China e emprega cerca de 7.000 pessoas. O país asiático suspendeu temporariamente o desembaraço aduaneiro (impediu o desembarque no porto) das cargas de carne brasileira que chegam ao país. A restrição atinge não apenas os 21 frigoríficos que foram alvos da operação Carne Fraca, da Polícia Federal, mas todos os estabelecimentos que exportam para aquele país. "O embargo, ainda que temporário, nos deixa bastante preocupados", comentou o ministro.

O objetivo da visita era enviar uma mensagem aos consumidores chineses de que os produtos brasileiros são de qualidade. Na terça-feira, 21, o ministro já tinha visitado uma fábrica da Seara, do grupo JBS, localizada na cidade de Lapa (70 quilômetros de Curitiba). O estabelecimento é o único dos investigados pela PF a exportar frango para a China.  

Mais cedo, em entrevista a jornalistas estrangeiros, Maggi reiterou que as investigações da Operação Carne Fraca, da Polícia Federal, são sobre a conduta de agentes públicos ligados à fiscalização da parte burocrática de produtos e não sobre a qualidade dos alimentos consumidos internamente ou exportados.  "Nós não temos até este momento nenhuma acusação sobre a qualidade dos produtos que nós consumimos aqui internamente no Brasil e nem daqueles que exportamos a vários países do mundo", disse. 

Durante a teleconferência, o ministro afirmou que no dia 29 de março o ministério vai lançar um novo regulamento de inspeção de produtos de origem animal, que já vinha sendo discutido. "Nosso regulamento ainda é de 65 anos atrás. Estamos atualizando isso, trazendo para este momento as coisas mais modernas de fiscalização que antes os nossos regulamentos não permitiam", afirmou. "O investimento nessas áreas é permanente, e eu tenho consciência plena de que nós só vamos nos manter nos mercados se pudermos dar tranquilidade e segurança de que nossos produtos são de primeira qualidade."

 

 

O ministro disse ainda que o órgão está neste momento discutindo o Plano de Defesa Agropecuária para melhorar processos e abrir espaço para inovações. "O que posso dizer aos senhores é dar a garantia de que nossa pecuária é competitiva, segura, que nós não dependemos de subsídios do governo para trabalhar e respeitamos o meio ambiente. Estamos absolutamente tranquilos de que o mundo inteiro pode consumir os produtos brasileiros sem nenhum receio de sofrer qualquer problema."

Fiscais. Durante a entrevista,  Maggi defendeu as medidas adotadas pelo ministério, de afastar todos os fiscais envolvidos na operação. O ministro ponderou que, dentre os mais de 11 mil servidores no Ministério da Agricultura, sendo 2,3 mil agentes fiscais diretamente ligados a essas atividades, apenas 33 estão sob suspeita. "Nós vamos acompanhar as investigações e tomar as medidas cabíveis. É claro que a questão criminal não é de responsabilidade do ministério, a nossa responsabilidade é sobre qualidade dos produtos, mas todos aqueles que infringiram qualquer regra terão que responder conforme a legislação brasileira."

 

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