Jason Lee/Reuters
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Encontro com a China tem a ver com comércio, política a gente resolve caso a caso, diz Bolsonaro

Presidente convidou estatais chinesas para participarem do megaleilão de petróleo em novembro; segundo ele, os dois países estão 'próximos de 100% afinados' na questão econômica

Julia Lindner, enviada especial, e Augusto Decker, O Estado de S.Paulo

25 de outubro de 2019 | 07h28

PEQUIM - O presidente Jair Bolsonaro afirmou, após encontro com o presidente chinês, Xi Jinping, nesta sexta-feira, 25, que Brasil e China estão "próximos de 100% afinados" na questão econômica, e que questões políticas - inclusive as disputas entre China e Estados Unidos, outro país que Bolsonaro vê como importante aliado - serão discutidas "caso a caso". "Nunca seremos 100% afinados (com a China), mas na questão econômica, acredito que estamos bem próximos disso", afirmou o presidente brasileiro.

O megaleilão de petróleo marcado para 6 de novembro é uma das questões econômicas em que parece haver alinhamento. Bolsonaro convidou estatais chinesas para participarem da oferta de áreas de exploração no pré-sal. "As informações que eu tive são de que a China tem interesse em participar. E é bom para todos nós", declarou.

O presidente brasileiro afirmou que na reunião também se falou do etanol. Segundo Bolsonaro, o governo chinês se interessa no biocombustível por buscar cumprir metas de menor poluição e emissão de CO2. "Acredito que brevemente, estaremos exportando etanol para a China", completou.

Bolsonaro aproveitou para fazer elogios à carne brasileira - outro produto para o qual ele e a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, tentam abrir mercados. "Ele (Xi) falou que gosta de churrasco e falou muito bem da carne brasileira. Eu espero que isso ecoe em todos os continentes e países do mundo - que a carne brasileira é inigualável", afirmou.

Na quinta-feira, Tereza Cristina já havia dito que novos frigoríficos brasileiros devem ser habilitados para exportar ao gigante asiático. Depois da reunião entre Bolsonaro e Xi Jinping, ela participou da assinatura dos protocolos sanitários. Com a visita da comitiva brasileira, a China decidiu liberar a exportação de farelo de algodão e carne bovina termoprocessada.

Há expectativa de que outros pontos que vinham sendo negociados possam ser anunciados durante a visita de Xi Jinping ao Brasil para a reunião do Brics, grupo formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, no próximo mês. "As outras coisas estão sendo discutidas e tenho expectativas de que talvez em novembro quando o presidente Xi for lá, ou entre agora e a ida dele, a gente possa ter outras coisas", disse a ministra ao Estadão/Broadcast. "A gente exporta muito para cá, mas muito concentrado em carne e soja, acho que a gente tem outras coisas para trabalhar. A gente exporta café, mas podemos ousar mais, eles estão muito interessados em cafés especiais."

Tereza Cristina disse também que sai da China "muito otimista" e que será criado um núcleo voltado exclusivamente para o país no Ministério da Agricultura. No núcleo, haverá pelo menos um técnico que fale mandarim e que domine a legislação chinesa "para facilitar e dar eficiência para as tratativas com o país".

'Mar de oportunidades'

Bolsonaro afirmou que o Brasil “tem feito o dever de casa” para equilibrar as contas públicas e reconquistar a confiança do mundo. Ele disse que o País é “um mar de oportunidades”. “Queremos compartilhar isso com a China.”

O presidente enalteceu as relações comerciais entre os países e destacou a decisão de isentar os chineses de visto para a entrada no Brasil como um gesto de aproximação. “Eu estava ansioso por essa visita porque temos na China o primeiro parceiro comercial e nos interessa ampliar novos horizontes. O Brasil precisa da China e a China também (precisa do Brasil)”, disse Bolsonaro.

O presidente chinês recebeu Bolsonaro com honras de Estado no Palácio do Povo, em Pequim. No início da reunião, ele afirmou que as relações estratégicas entre Brasil e China possuem “longo alcance”. “É inalterada a tendência de ascensão coletiva dos mercados emergentes como China e Brasil”, disse. “A colaboração China-Brasil terá futuro brilhante.”

Depois da reunião, Bolsonaro e Xi Jinping participraam de uma cerimônia para assinatura de atos, seguida por uma troca de presentes. O brasileiro deu um casaco do Flamengo para o chinês. Palmeirense, Bolsonaro disse que o clube rubro-negro é o "melhor time brasileiro do momento".

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