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Estamos festejando mudança do País para credor, diz Mantega

Ministro da Fazenda ressalta que o feito é especialmente importante agora, com crise internacional de crédito

Adriana Chiarini, da Agência Estado,

21 de fevereiro de 2008 | 19h08

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou nesta quinta-feira, 21, estar "festejando a mudança do Brasil para credor". Ele lembrou que é primeira vez na história do País que isso acontece. Segundo o ministro, isso é especialmente importante neste momento, em que há uma crise internacional de crédito.  De acordo com Mantega, já aconteceu outras vezes, em crises semelhantes, de faltar crédito, os juros subirem e a situação dos países devedores se complicarem. "Mas o Brasil, como credor, agora não estará sujeito a isso", afirmou. Mantega enfatizou que a dívida externa brasileira inclui títulos de até 2045. "É uma dívida de longo prazo", disse, lembrando que o dinheiro das reservas é "cash". O ministro comentou que a mudança aproxima o Brasil da classificação grau de investimento. "Ao longo de 2008, já teremos investment grade", estima. Ele afirmou que já esteve na Moody's e disse que discorda do critério da agência de analisar a dívida bruta, e não a dívida líquida, que desconta o total de reservas internacionais. Mantega afirmou que não considerar as reservas "é uma absurdo". Ele acredita que o Brasil atingirá o grau de investimento primeiro pela S&P e pela Fitch, e depois pela Moody's.  Segundo Mantega, umas das grandes agências já considera o Brasil investment grade no campo externo. "E como estamos cumprindo as metas fiscais, reduzindo a dívida total" (externa mais interna), o Brasil estaria no caminho do investment grade, afirmou. O ministro disse que a situação do Brasil como credor externo veio para ficar. "Continuaremos aumentando nossas reservas, comprando dólares", declarou. Ele reconhece que a compra de divisas externas tem um custo, já que é necessário emitir títulos da dívida interna para reduzir a quantidade de reais que seriam colocados em circulação. Como o custo da dívida interna é superior à remuneração das reservas, o governo tem um aumento de dívida interna ou gastos. O titular da Fazenda afirmou, porém, que o saldo é positivo porque o Brasil fica mais protegido diante de crises internacionais. Ele também afirmou que o custo desse tipo de operação diminui conforme a taxa básica de juros, a Selic, baixa, conseqüentemente, reduzindo a diferença entre o que governo paga pela dívida interna e o que recebe de remuneração das reservas.  Mantega prevê que a Selic continuará caindo no longo prazo. "Não falo no curto prazo", disse. "Nos próximos dois ou três anos, devemos ter juros em nível de países avançados", afirmou o ministro. Diante da provocação de um repórter, que quis saber se os juros baixariam para cerca de 3%, Mantega retificou e disse esperar que o Brasil se aproxime do patamar dos juros do México e do Chile. O ministro comentou que a situação do Brasil no cenário externo é muito boa e que ele tem condições de se tornar um "protagonista" internacional. Mantega afirmou também que a cotação do dólar a R$ 1,71 "é o preço do sucesso". De acordo com ele, as pessoas têm mais confiança no Brasil "e isso atrai mais investimentos no presente e no futuro".  Ele lembrou que depois que o Brasil atingir a classificação investment grade poderá receber recursos de fundos de pensão, que são proibidos de investir em países com rating menor. "O mercado já está precificando que vamos atingir o investment grade", afirmou. Mantega disse ainda que discorda dos economistas que acreditam que, para um país com carência de recursos como o Brasil, seria mais natural ser devedor e contar com poupança externa para financiar o desenvolvimento. "Essa idéia é uma idéia do passado", afirmou.

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