''Estamos nas mãos de São Pedro'', diz agricultor

Na região sudoeste de São Paulo, onde não chove há 65 dias,produtores já temem pela safra de 2011

José Maria Tomazela, O Estado de S.Paulo

19 de setembro de 2010 | 00h00

Dos 450 hectares que o agricultor Paulo Nunes, de 66 anos, preparou para o plantio da safra de verão este ano, no Sítio Fazendinha, em Itapetininga, no sudoeste paulista, apenas 30% receberam as sementes. Não chove há 65 dias na região e começa a faltar água para o milho e o feijão já plantados sob pivôs de irrigação. "Estamos irrigando faz 40 dias e o nível do reservatório preocupa."

A seca atropelou o calendário agrícola da propriedade. O plantio do milho de sequeiro (sem irrigação) está com atraso de um mês. "Se não chover logo, vamos ter de rever a programação e plantar mais soja no lugar do milho", disse. Por causa da estiagem, Nunes foi obrigado a suspender o plantio de outros 50 hectares de feijão. "Estamos nas mãos de São Pedro."

O quadro é semelhante para o produtor de soja Sebastião Pittarelli, de 63 anos, que planeja cultivar 280 alqueires no município de Iguaraçu, na região de Maringá(PR). "Estou preocupado porque faz 50 dias que não chove e isso está atrasando os trabalhos de preparo do solo."

Nunes e o genro André Giriboni, de 43 anos, sócios na produção, acompanham em tempo real as mudanças do clima captadas pelos radares meteorológicos instalados em São Roque, Bauru e Presidente Prudente. Na quinta-feira, havia previsão de chuva só para 12 de outubro.

Como o vazio sanitário da soja - período em que o plantio é proibido para o controle de doenças e pragas - termina dia 30 deste mês, a safra começará com atraso. Segundo Giriboni, o plantio atrasado repercutirá na safra do ano que vem. "Teremos de alterar o plano de plantio e talvez algumas áreas fiquem paradas."

De acordo com o engenheiro agrônomo Vandir Daniel da Silva, da Secretaria Estadual da Agricultura e Abastecimento em Itapeva, 30% da safra de verão já deveria ter sido plantada. "Normalmente, o agricultor colhe o trigo e já entra com o milho e a soja. Com essa estiagem, ninguém se arriscou a plantar." No sudoeste, a pouca procura causou redução de 6% a 10% nos preços de adubos e sementes. Os tratores estão parados.

Silva prevê que a área com milho cairá pelo menos 30%. A de soja também pode ser menor. "O produtor espera a chuva para decidir quanto vai plantar."

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