Ações

Empresas de Eike disparam na bolsa após fim de recuperação judicial da OSX

Estamos no caminho para erradicar a fome, diz Graziano

Diretor geral da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentos (FAO) alerta, no entanto, que 'falta compromisso político de elevado nível para combater a fome no mundo'

Marina Guimarães, correspondente,

30 de março de 2012 | 17h49

BUENOS AIRES - Os países da América Latina e Caribe acreditam que estão em condições de atingir a meta de acabar com a fome antes de 2025, segundo afirmou o diretor geral da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentos (FAO), Jose Graziano da Silva, após conclusão da 32a Conferência Regional do organismo, realizada durante toda esta semana em Buenos Aires. "Não estamos atrasados na meta de erradicação da fome. Pelo contrário, estamos no bom caminho", disse ele durante entrevista coletiva à imprensa. Porém, Graziano alertou que "falta compromisso político de elevado nível para combater a fome no mundo".

"Os recursos financeiros são importantes, mas o fundamental são os compromissos políticos porque quando se assume compromisso se busca recursos", afirmou. Graziano destacou ainda que o cumprimento das metas obedece a algumas prioridades, como a questão da saúde vegetal e animal, que implica no controle de doenças como a aftosa, a gripe aviária e a peste suína, por exemplo, ou o uso de defensivos agrícolas que prejudicam a saúde. Ele destacou a região do Caribe, onde o uso de defensivos afeta a qualidade dos alimentos.

O diretor da FAO também disse que uma das prioridades estabelecidas durante o encontro realizado a portas fechadas é fortalecer o apoio ao governo do Haiti para desenvolvimento de projetos produtivos próprios. Ele criticou as iniciativas isoladas para ajudar a reconstrução e desenvolvimento do Haiti. "Há dificuldades de coordenação de programas no Haiti; cada um vai com sua bandeirinha para fazer seu programa, mas é necessário ter uma coordenação para isso", disse.

"Haiti não é só um tema de emergência, mas de reconstrução de um país. É um caso típico da relação que há entre segurança alimentar e paz. Onde não há pão, não há segurança alimentar", afirmou. Graziano informou ainda que a conferência regional avançou na discussão de outras prioridades estabelecidas, como a cooperação Sul-Sul, que visa a ajuda da região no combate à fome na África do Sul; a relação com organismos regionais; a descentralização e reforma da FAO; o compromisso para aumentar a produção de alimentos; e o apoio à pesca e ao setor florestal.

O diretor da FAO fez um apelo à sociedade civil para que também assuma o compromisso de combate à fome e disse que nessa conferência houve a participação de 32 representantes da sociedade civil, que participaram "ativamente" dos debates. Graziano destacou ainda o compromisso do Brasil de investir US$ 20 milhões adicionais nos projetos da FAO.

O vice-ministro de Agricultura da Argentina, Lorenzo Basso, por sua vez, ressaltou que a Bolívia e outros países solicitaram informações sobre a lei argentina que restringe a venda de terras para estrangeiros. "Um grupo vai reunir as informações de todas as normas e leis de restrição ao acesso de terras, com as do Brasil, Argentina e Uruguai, sobre o assunto", disse ele.

Indagado pela AE se chegaram a discutir uma harmonização das normas sobre esse tema, Basso respondeu somente que "há grande interesse dos países de se proteger da compra de estrangeiros, especialmente de Estados estrangeiros".

Tudo o que sabemos sobre:
FAOONUErradicação da fome

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.