Ricardo Moraes/Reuters
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Estamos no limite da capacidade de nossas refinarias, diz Gabrielli

O presidente da Petrobrás defendeu a construção das novas refinarias como forma de amenizar a atual situação de oferta de combustíveis no País

Kelly Lima, da Agência Estado,

21 de fevereiro de 2011 | 12h22

O presidente da Petrobrás, José Sergio Gabrielli, defendeu nesta segunda-feira, 21, a construção das novas refinarias que a companhia está realizando como forma de amenizar a atual situação de oferta de combustíveis no País. Segundo ele, a capacidade de refino nacional está "no limite". "Temos um problema: estamos no limite do refino e com um crescimento exponencial na produção de petróleo. Somos a empresa no mundo que mais cresce em produção com base em novas reservas", afirmou, rebatendo as constantes críticas do mercado financeiro sobre os investimentos de quase US$ 40 bilhões que a companhia tem previsto em seu plano de negócios até 2014 para a área de refino.

O executivo disse que a situação mais crítica é na gasolina, mas também correm risco de chegar ao limite o processamento de Querosene de Aviação e do Gás Liquefeito do Petróleo (GLP). "Não investir em refinaria no curto prazo é suicídio", disse. O crescimento do PIB e melhora na renda per capita são os pontos apontados por Gabrielli como as principais razões para o aumento do consumo, bem como a falta de investimentos em novas refinarias no passado. "Toda nossa intervenção nos últimos anos foi para aumentar a capacidade de produção de diesel em nossas refinarias. Agora vemos gargalo na gasolina e outros, mas isso não se muda no curto prazo. A única maneira de mudar isso é construir refinarias, e isso leva seis anos no mínimo", disse.

Especificamente sobre a gasolina, ele ainda comentou que a situação brasileira é peculiar porque depende do preço do açúcar no mercado internacional. Isso porque o consumo de álcool é influenciado pelo preço do produto, e este só é ditado pela oferta, que varia de acordo com a demanda de açúcar no mercado internacional. No ano passado, lembrou, o crescimento da gasolina no mercado interno foi de 19%, ante um PIB de 7% e 10% do mercado geral de combustíveis.

Gabrielli ainda afirmou que atualmente o preço da gasolina no País está abaixo do praticado no mercado internacional. "Mas é natural. Nós há bem pouco tempo estávamos acima do preço. Não vamos alterar nossa política de preços, não vamos repassar oscilações no curto prazo. Toda vez que há uma instabilidade no mercado futuro repassamos para os preços, mas isso só é avaliado dentro de uma política de longo prazo".

Estatal vai reavaliar projetos em três direções distintas

A Petrobrás vai reavaliar os projetos de suas refinarias em três direções distintas, também afirmou o presidente da estatal, em entrevista após participar do seminário "Cenários da Economia Brasileira e Mundial em 2011", na Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan). Segundo ele, o primeiro aspecto que está sendo considerado para esta reavaliação é que o mercado interno ganhou maior importância, por conta do aumento das vendas verificado no ano passado e que, acredita, deve se repetir por conta do crescimento da economia e consequentemente da renda per capita.

O segundo aspecto é uma maior padronização e simplificação nos projetos das refinarias Premium I e II, respectivamente nos estados do Maranhão e Ceará. A terceira linha é a flexibilidade das refinarias, para que possam produzir a partir de diversos tipos de petróleo e que processem vários produtos.

Ele destacou que, apesar de focar no mercado interno, em 2020, a Petrobrás terá capacidade para processar 3,2 milhões de barris em seu parque de refino, frente a uma produção de 3,9 milhões de barris por dia. Além deste excedente, ele lembrou, que há ainda 600 mil a 650 mil barris por dia que serão produzidos pelas parceiras da Petrobrás no pré-sal, que "poderão ou não ser exportados ou refinados aqui". "O certo é que há uma capacidade excedente de produção em relação ao refino", negando que já esteja nos planos da empresa a construção de novas unidades. Segundo ele, a Petrobrás ainda está concluindo a revisão de seu Plano de Investimentos para até 2015. A previsão, segundo ele, é que isso ocorra até o início de maio.

Gabrielli descartou que a localização das refinarias já programadas seja revista. "A localização das refinarias no Nordeste (Abreu e Lima, Premium I e II) é extremamente estratégica, porque hoje 19% do mercado está no Nordeste. A refinaria mais próxima deste mercado é a da Bahia, mas em breve teremos esta região ligada com a região Centro-Oeste por ferrovias e hidrovias", disse.

Poços

A Petrobrás vai contabilizar como perda as duas perfurações feitas no bloco BM-S-22, em que ela participa com 20%. O bloco é o único da área do polo de Tupi, no pré-sal da Bacia de Santos, que não é operado pela estatal. Os dois poços serão lançados como perdas porque estavam secos, explicou o presidente da Petrobrás, José Sergio Gabrielli.

"Não comentamos nenhum detalhe sobre uma área que não operamos, mas no mercado de petróleo é considerada praxe a contabilização como perda de poços secos", disse Gabrielli. Os dois poços, operados pela Exxon, também foram os únicos da região - que abriga o campo de Lula e as reservas de Iara, Guará, Carioca e Parati, entre outras - que resultaram secos.

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