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'Estamos num atoleiro fiscal e cambial'

Na avaliação de Blanche, diante da volatilidade e do nível de incerteza, é difícil projetar o rumo do câmbio

Entrevista com

Nathan Blanche, sócio da Tendências Consultoria Integrada

LUIZ GUILHERME GERBELLI, O Estado de S.Paulo

05 de março de 2015 | 02h05

Um dos principais especialistas em câmbio do País, Nathan Blanche, sócio da Tendências Consultoria Integrada, diz que o Banco Central deixou de fazer a lição de casa quando, no lugar de uma política monetária para controlar a inflação, passou a utilizar a ração diária. A seguir, trechos da entrevista concedida ao Estado.

Por que o dólar está subindo nas últimas sessões?

Utilizando a metáfora da revista The Economist, estamos num atoleiro fiscal e cambial. Entramos nessa situação por causa da substituição de política monetária que foi feita pelo BC quando ele resolveu baixar os juros e passou a vender dólar para controlar a taxa de câmbio. O Banco Central usou isso como instrumento alternativo de política cambial, o que é um absurdo do ponto de vista de política econômica.

Quais os riscos dessa política?

A gente está numa situação de muita volatilidade e com o risco de perder o grau de investimento, sem dúvida, depois que o Congresso negou o ajuste fiscal. E isso preocupa muito, porque o BC, depois da declaração do Joaquim Levy, decidiu diminuir a ração diária (programa de leilões de swap cambial). Deve rolar só 80% (dos contratos). Agora, isso veio num momento muito inadequado.

Por quê?

Precisamos rezar para que as pessoas ainda venham aqui e continuem comprando cupom cambial para ganhar 2,3% na renda fixa em dólar. O momento externo também é difícil. Nós projetamos para este ano uma necessidade de financiamento para o Brasil de US$ 154 bilhões de dólares. Se o País não cobrir isso, ou seja, financiar esse dinheiro com investimento direto e com financiamento de médio e longo prazo por meio da venda de papel no exterior, fica numa situação difícil.

Quais medidas o Banco Central deveria ter adotado?

Não usar permanentemente a venda de swaps cambiais como substituto de política monetária. Ele assumiu um risco político. Acredito que 80%, 90% do pessoal de mercado esperava alta de taxa de juros quando ele a derrubou lá atrás. E, logo em seguida, o BC começou a vender câmbio para segurar a inflação. Foi um risco calculado de política econômica igual à redução das tarifas (de energia).

Qual é a previsão do sr. para o câmbio?

Com um nível de volatilidade e incertezas como o atual, não existe uma visão de câmbio que alguém possa arriscar. Portanto, é fazer hedge e não ficar descoberto porque, do mesmo jeito que o dólar pode cair, ele pode subir muito ainda.

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