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Análise: Estamos prontos para trocar a renda fixa pela variável?

A queda constante da Selic fez da poupança um investimento cada vez menos atrativo; o mesmo aconteceu com a renda fixa

Juliana Inhasz*, O Estado de S.Paulo

31 de outubro de 2019 | 04h00

A redução da taxa básica de juros para patamares históricos mínimos tem feito com que o brasileiro repense suas ações numa economia cujo cenário macroeconômico não é trivial, com indicadores de atividade econômica fracos apesar de juros e inflação baixos. Nesse contexto, as decisões econômicas requerem cada vez mais atenção, prudência e, acima de tudo, bom senso. Mas será que, de fato, estamos prontos para isso?

A queda constante da Selic fez da poupança um investimento cada vez menos atrativo. O mesmo aconteceu com a renda fixa, mais segura e cada vez menos interessante quando o que está em pauta é a rentabilidade. Esse cenário tem feito com que o brasileiro repense suas posições, muitas vezes trocando a segurança por maior retorno, se inclinando ao aumento das posições de risco. Reflexo parcial desse comportamento, o Ibovespa tem batido constantes recordes, alcançando valores que, para muitos, eram impensáveis em uma economia com a nossa velocidade de recuperação. 

No entanto, não podemos negligenciar o fato de que a economia ainda cresce muito aquém do que o necessário para sustentar feitos como esse, que conecta o lado financeiro e o lado real da economia, a longo prazo. O setor produtivo ainda sofre excessivamente com a alta inadimplência e o elevado desemprego, que pressionam a renda e impossibilitam a retomada vigorosa da demanda. Nesse contexto, os elevados retornos da renda variável parecem muito mais um indício de otimismo excessivo frente a realidade brasileira. 

Há também de se questionar se essa indústria, tão prejudicada pela falta de investimentos, terá capacidade para atender a uma demanda crescente, quando a redução da taxa de juros alcançar de fato o consumidor final. Nas condições atuais, a indústria deve conseguir atender a parte da demanda futura com capacidade ociosa, mas não sua totalidade. Sem um crescimento econômico que fomente capacidade produtiva, os aumentos de preços podem ser inevitáveis.

*COORDENADORA DO CURSO DE ECONOMIA DO INSPER

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