Raízen
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Covid-19

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'Estamos tomando medidas para proteger a nossa tropa de caminhoneiros', diz presidente da Raízen

Grupo viu demanda por combustíveis cair e transformou lojas de conveniência em minimercados

Entrevista com

Ricardo Mussa

Mônica Scaramuzzo, O Estado de S.Paulo

06 de abril de 2020 | 09h00

Uma das maiores distribuidoras de combustíveis do País,  a Raízen (joint venture entre Cosan e Shell) está com uma campanha para combater o coronavírus. Um dos focos é proteger o time de caminhoneiros que trabalham para o grupo.  Ricardo Mussa, presidente da companhia, afirmou ao Estado que o grupo teve queda de demanda por combustíveis, sobretudo gasolina de aviação, mas registrou aumento de demanda por açúcar.  A companhia está com uma campanha nas ruas  que tem como foco principal os caminhoneiros. "No nosso caso, estamos tomando medidas internas de cuidados para proteger a nossa tropa", diz Mussa. A seguir, os principais trechos da entrevista:

Como a pandemia está impactando a demanda do grupo? 

A demanda teve uma queda muito brusca, não muito diferente de outros países. A gasolina e o etanol caíram muito mais que o diesel, por exemplo. Foi uma queda, na média, de 50% da demanda.O combustível para aviação teve uma queda enorme.  Uma queda maior em regiões como São Paulo e menor na região de Mato Grosso, onde a atividade agrícola é muito forte. Depende de cada região. O consumo de açúcar não está tendo queda. Países estão priorizando a produção de alimentos. Tivemos muita procura pelo álcool 70%, mas é muito menor que o volume de combustível.

A Raízen enfrentou  problemas de logística para distribuição de seus produtos?

Tivemos. A cadeia de combustível no Brasil é muito otimizada. Não se trabalha com muito estoque. Ninguém está preparado para uma queda de 50% a 70% do consumo de etanol. Nesta  freada brusca, você não consegue retirar produto, há problemas de tanque e de logística. E tudo foi muito de repente. Ninguém imaginava isso.

A companhia alegou força maior para tentar renegociar contratos com fornecedores, certo? 

Estamos dos dois lados. Como produtores, obviamente muita gente vem aqui rever contrato. A gente fornece para várias distribuidoras e muitas vieram pedir revisão de contrato. A gente tem de atender. Do mesmo jeito que a gente está fazendo para nossos clientes também.  A Petrobrás se prontificou a conversar e liberou de pagar multa. Com a nossa revenda, sabíamos que eles não conseguiriam honrar os contratos e também conversamos pró-ativamente. a indústria inteira está fazendo isso.  É hora de a indústria inteira sentar e discutir. 

E o grupo enfrentou problemas nessas renegociações?

Na grande maioria, não. Nos bastidores, está conversando e vendo como faz readequações.

A Raízen já tem previsão de como será o ano?

É difícil falar de projeção agora. Difícil prever o que vai acontecer nos próximos meses.  Nos comprometemos a não reduzir quadro de funcionários, e isso é muito importante para dar tranquilidade (à equipe). Achamos que não é hora de fazer grandes revisões. Temos de olhar o curtíssimo prazo. Estamos cortando custo de marketing. Agora, os grandes investimentos, não temos o cenário claro para tomar uma decisão mais drástica.

 

E a compra de refinarias da Petrobrás?

O processo foi postergado. É muito mais uma decisão da Petrobrás de continuar ou não o processo. Tem muita incerteza ainda. 

Como estão as lojas de conveniência?

Mudamos o mix de produtos. Agora tem mais produtos de higiene e limpeza. Tiramos todas as cadeiras. Não se faz mais alimentação nas lojas. Viramos um minimercado. É um lugar mais para o caminhoneiro parar e comprar. Fechamos parceria com o Uber Eats. Aprendemos isso com a Shell da China, que nos ensinou como deveríamos atuar na crise. O posto é um lugar que o consumidor tem confiança de ir. Estamos distribuindo muito álcool gel aos frentistas. Fechamos parceria com a Raia Drogasil - queremos reverter parte da venda de álcool 70%  em voucher para dar combustível aos médicos. 

Como a empresa está vendo a questão do isolamento?

Não temos posicionamento político. Temos de garantir que a produção essencial - de açúcar e etanol e energia elétrica - vai continuar rodando. Estamos tornando o ambiente seguro para isso. Quem pudemos colocar em home office, colocamos. 

Como está o programa de doações?

Fizemos doação de álcool 70% para hospitais e redes de postos de combustíveis. Fizemos parceria em São Paulo fazendo doação de diesel. Doações financeiras para hospital do Rio de Janeiro. Além de parcerias com outras empresas - como Natura e Ypê. Doamos  o álcool 70%,  a Natura deu o envase e vamos distribuir para os caminhoneiros. Com Ypê também distribuímos álcool 70%. O  foco inicial da Raízen foi atender primeiro os caminhoneiros. Essa é uma turma que está na linha de frente e muito desamparada. 

Há casos de caminhoneiros infectados na rede do grupo?

No nosso mapeamento, até agora não. Temos muitas transportadoras,  com cerca de 5 mil caminhões, tivemos poucos casos. Estamos protegendo a nossa rede. 

Mas não chegamos ao pico de casos…

Acho que vai ter, mas é uma opinião pessoal. O pior ainda não passou, vão aparecer casos mais para a frente. No nosso caso, estamos tomando medidas internas de cuidados para proteger a nossa tropa.

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