André Borges/Estadão
André Borges/Estadão

Estância milionária está de portas fechadas

Apartamentos de luxo ficam abandonados à espera de turistas que não chegam

André Borges, enviado especial, O Estado de S.Paulo

09 Setembro 2017 | 05h00

NIQUELÂNDIA (GO) - Piscinas com “bar molhado”, pista de pouso, 24 apartamentos de luxo com ar-condicionado, garagens individuais, salão de festas, barcos para pesca, natureza exuberante e tudo quanto é regalia que se tem direito. Tudo isso abandonado, à espera de turistas que não chegam.

No começo dos anos 2000, a família de Jordana Bonfim investiu cerca de R$ 5 milhões na construção da Estância Serra da Mesa, um dos tantos projetos de luxo que foram atraídos para a orla da barragem, quando Uruaçu entrou para a lista destino de pesca mais procurados do País.

Até meados de 2013, diz Jordana, responsável pela gerência da hospedagem, a estância ainda era muito visitada por turistas de todo o País. “Morei ali entre 2006 e 2013. Foi uma época linda, com o lago cheio. Mas a seca chegou e levou tudo. Meu tio, que é o dono da estância, perdeu o interesse, perdeu o amor pelo negócio. É uma pena”, conta Jordana.

Na estância, o clima é de total abandono. Apenas um casal de trabalhadores toma conta do que é possível. As piscinas estavam com a bomba d’água quebrada e a água foi invadida por musgos. Os barcos que eram alugados pelos turistas estão sendo cobertos pelo mato. Alguns coqueiros da entrada imponente começaram a morrer. A água da barragem, que antes tocava a soleira da pousada, agora está a um quilômetro de distância. A Estância Serra da Mesa está à venda desde 2015.

“Há cerca de um ano não vem ninguém aqui, para ficar na pousada e pescar, descansar. Quando conseguimos alugar, é sempre para algum evento de igrejas ou de empresas”, diz o caseiro Anísio Ferreira Duarte, que trabalha há cinco anos no local.

Cooperativa. Na região de Uruaçu, a escassez dos peixes levou os pescadores a buscarem outra opção de trabalho. Para não fechar as portas da cooperativa do município, pescadores têm recorrido à venda de jacarés criados em cativeiro para tentar fazer algum dinheiro. Outros partiram para a fabricação de grandes tanques para criação de pescados, mas vendem essas estruturas para outras regiões, onde não há o problema da falta d’água. “Tem de se virar de algum jeito. As contas não param de chegar”, diz Antônio Machado de Almeida, o Toninho do Peixe, presidente da cooperativa.

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