Estatais de energia buscam novos mercados

Grupos seguem os passos da Cemig e entram na disputa por linhas de transmissão e por novas usinas

Renée Pereira, O Estado de S.Paulo

22 de janeiro de 2011 | 00h00

O forte apetite da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) por novos investimentos tem inspirado outras estatais a voltar ao mundo dos negócios. Nos últimos leilões de transmissão e geração de eletricidade, a Companhia Paranaense de Energia (Copel) e a Eletrosul deram um basta no período de estagnação e abocanharam até ativos que estão fora de suas áreas de atuação, como São Paulo e Mato Grosso.

A reação da companhia do Paraná ocorreu em junho do ano passado, no leilão de linhas de transmissão. A estatal paranaense venceu a concessão de uma linha de transmissão entre Araraquara e Taubaté, de 356 quilômetros (km), e a subestação de Cerquilho, todas em São Paulo. Dois meses depois, ela arrematou a Hidrelétrica de Colíder, em Mato Grosso, com capacidade de 300 MW.

Até então, a última participação da companhia havia sido em 2006, quando venceu a concessão da Hidrelétrica de Mauá, nos municípios paranaenses de Telêmaco Borba e Ortigueira. Em todo esse tempo parada, a Copel perdeu 30% de seu mercado. "Até 2004, a empresa tinha superávit no Estado. Hoje, nosso déficit é de 30%", afirma o presidente da Copel, Lindolfo Zimmer.

Ele afirma que o objetivo da Copel é recuperar esse mercado nos próximos quatro anos, quando serão investidos R$ 2 bilhões nos projetos em andamento. Mas Zimmer garante que muita coisa virá pela frente nos próximos meses. A empresa acaba de lançar quatro chamadas públicas com o objetivo de formar parcerias para participar de leilões de transmissão e geração de energia, seja de hidrelétricas, unidades de biomassa e eólicas. A empresa também quer se unir a outros grupos para construir pequenas centrais hidrelétricas (PCHs).

"Adotamos essa estratégia porque não temos projetos na gaveta. Não estávamos focados nessa atividade", afirmou o presidente da Copel, destacando que empresa tem grande potencial de investimentos. "Nosso grau de endividamento é pequeno, menos de 20% do patrimônio."

A opinião é corroborada pelo analista da corretora Ágora, Filipe Acioli. Na avaliação dele, a Copel tem seguido as estratégias da Cemig de entrar em empreendimentos com participações menores. Em parcerias público-privadas, a empresa escapa das regras impostas as estatais. A parte boa, diz Acioli, é que a companhia já demonstrou que não vai sacrificar a rentabilidade para entrar em qualquer projeto.

Outra estatal que despertou para a expansão no setor elétrico foi a estatal federal Eletrosul. A empresa é sócia de duas grandes hidrelétricas. Uma delas é Jirau, no Rio Madeira, que entrará em operação em 2013. A outra é Teles Pires, arrematada em dezembro e prevista para entrar em operação em 2015. Na área de transmissão de energia, a estatal está no consórcio que vai construir o linhão entre Porto Velho e Araraquara.

Energia eólica. A menina dos olhos da Eletrosul, no entanto, é a Usina Eólica Cerro Chato, em Santana do Livramento (RS), de 60 MW. A expectativa é que a unidade entre em operação em setembro de 2011. "Estudamos energia eólica há mais de dez anos. Teremos outras unidades no Rio Grande do Sul", destaca o diretor-presidente da estatal, Eurides Luiz Mescolotto.

O executivo conta que, a partir deste ano, a empresa já contará com receitas advindas da geração. A Eletrosul teve todo o parque gerador privatizado no governo de Fernando Henrique Cardoso e ficou apenas com a transmissão. O incremento nas receitas dará mais fôlego para a empresa investir em novos projetos. Apesar disso, a estatal continuará seguindo as diretrizes da holding Eletrobrás.

Mescolotto afirma que, neste ano, serão investidos R$ 1,179 bilhão em projeto de geração de energia e R$ 419 milhões, em transmissão. No ano passado, a empresa já havia investido R$ 771 milhões em geração e R$ 273 milhões em transmissão. "É bom trabalhar numa empresa que tem perspectivas de futuro. Os funcionários estão cada vez mais contentes com essa fase que inauguramos na empresa", diz o presidente da estatal.

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