Estatais federais investiram 15,7% menos em 2014

Estatais federais investiram 15,7% menos em 2014

Dados indicam que, além da redução provocada pelos impactos da Lava Jato, ritmo das obras sofreu desaceleração

LU AIKO OTTA, LUCI RIBEIRO, O Estado de S.Paulo

03 Fevereiro 2015 | 02h03

BRASÍLIA - Em meio ao escândalo de desvios de verbas e corrupção na Petrobrás, as empresas controladas pelo governo federal terminaram o ano de 2014 com um volume de investimentos 15,7% menor do que o verificado no ano anterior. É o que mostra relatório publicado ontem pelo Departamento de Coordenação e Governança das Empresas Estatais (Dest) do Ministério do Planejamento.

As estatais investiram R$ 95,64 bilhões na comparação com os R$ 113,49 bilhões registrados em 2013. Os dados mostram que, além da redução do volume, houve também uma desaceleração no ritmo das obras em relação ao orçamento. No ano passado, o total investido correspondeu a 86% das verbas disponíveis. Um ano antes, o índice de realização havia atingido 92,1%.

O governo atribui essa desaceleração ao ciclo de duração das grandes obras em infraestrutura. Os investimentos teriam atingido seu pico em 2013, mas os aportes foram naturalmente reduzidos com a conclusão de etapas importantes de empreendimentos, como a Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, por exemplo.

Isso também explicaria o fato de o governo haver proposto, para 2015, um orçamento de investimentos das empresas estatais de R$ 105,7 bilhões - ligeiramente menos do que os R$ 105,9 bilhões originalmente propostos para 2014.

Lava Jato. Na área técnica, porém, admite-se que as investigações da Operação Lava Jato da Polícia Federal desaceleraram as decisões na Petrobrás, que respondeu, sozinha, por 85,2% de todo o investimento das empresas estatais no ano passado. Com isso, a execução caiu. Em 2014, a petroleira executou 90% de seu orçamento, ante 96,5% em 2013.

A proposta do orçamento de 2015 contempla uma queda de R$ 1,1 bilhão nos investimentos da Petrobrás, explicada principalmente pela conclusão de etapas da Refinaria Abreu e Lima. E a presidente da empresa, Graça Foster, já indicou que os investimentos serão reduzidos. Na área de exploração, disse ela, eles cairão ao mínimo possível.

A desaceleração pode ser notada também no grupo Eletrobrás, sócio de grandes empreendimentos no setor elétrico. Os investimentos realizados no ano passado foram de R$ 6,269 bilhões, ante R$ 7,218 bilhões em 2013. Também a taxa de realização recuou de 82,7% para 70,5%.

Da mesma forma, a estatal Infraero investiu no ano passado R$ 1,424 bilhão, o equivalente a 74,9% do orçamento disponível. No ano anterior, havia sido R$ 1,64 bilhão, o que significou uma realização de 80,8% do orçamento. No setor financeiro, a Caixa aplicou R$ 1,8 bilhão, ou 81,9% do total de R$ 2,3 bilhões. O BB investiu R$ 1,9 bilhão (62,8%) do valor global de R$ 3,1 bilhões.

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