Estatais não contribuem para o ajuste fiscal

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) pagou ao Tesouro Nacional dividendos de quase R$ 7 bilhões em 2013 e de mais de R$ 9 bilhões no ano passado, mas os resultados já conhecidos de 2015 indicam que será difícil de manter, neste ano, contribuição tão expressiva para o acerto fiscal. No primeiro semestre o banco não pagou dividendos à União, pois seu lucro líquido, de R$ 3,5 bilhões, caiu 35,8% em relação ao de igual período de 2014 (R$ 5,4 bilhões). A queda dos resultados foi atribuída ao prejuízo da maior das estatais – a Petrobrás, da qual o banco detém 17,24% das ações.

O Estado de S. Paulo

19 de agosto de 2015 | 03h00

Até maio o BNDES havia reduzido em cerca de 20% seu volume de desembolsos – e, até segunda-feira, não havia divulgado os dados operacionais do crédito até junho. Mas foram justamente as operações de crédito em curso que mais influenciaram o balanço da instituição. Entre os primeiros semestres de 2014 e de 2015, as receitas da intermediação financeira passaram de R$ 17,2 bilhões para quase R$ 42,5 bilhões, com destaque para as operações em moeda estrangeira. É um indicativo de que o banco se beneficiou com a depreciação do real.

O BNDES informou que 0,71% dos créditos totais foi renegociado, o que indica dificuldades do devedor. O porcentual é pequeno, mas, em valores correntes, não é pouco: o saldo da carteira de crédito e repasses é de R$ 667 bilhões, segundo o banco. A receita com aplicações em títulos e valores mobiliários aumentou de R$ 3,6 bilhões para R$ 6 bilhões, indicando que o juro alto ajudou o banco.

Os resultados do BNDES são influenciados pelo mercado e pelas companhias de que participa: além da Petrobrás, o banco ou coligadas detêm 18,72% do capital da Eletrobrás e 5,2% do capital da Vale. Em 12 meses, o valor contábil das ações da Petrobrás caiu R$ 10,2 bilhões, o da Vale diminuiu R$ 2,8 bilhões e o da Eletrobrás, R$ 170 milhões.

Embora não se trate de prejuízo a lançar no balanço, há impacto negativo sobre os ativos da instituição. E estes avançaram no semestre apenas 3,9% ou R$ 34 bilhões, passando de R$ 877,2 bilhões para R$ 911,4 bilhões.

No primeiro semestre de 2014, o banco recebeu R$ 1,8 bilhão da Petrobrás. Mas a petroleira, com prejuízo de R$ 21,6 bilhões em 2014, decorrente de maus investimentos e dos custos da corrupção apontada na Operação Lava Jato, não pagou os dividendos e os lucros sobre capital próprio. Direta e indiretamente, o prejuízo recaiu sobre o Tesouro.


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