Estatais perdem R$ 12,1 bilhões em investimentos não usados

Segundos técnicos, os cortes são feitos para adequar o orçamento ao que foi efetivamente realizado pelas empresas

LU AIKO OTTA / BRASÍLIA , O Estado de S.Paulo

31 de dezembro de 2011 | 03h05

O governo cancelou ontem R$ 12,1 bilhões em investimentos das empresas estatais federais em 2011. O corte ocorreu porque, por razões variadas, elas não conseguiram gastar os valores que haviam sido programados no início do ano.

Segundo técnicos, o corte é feito para adequar o orçamento ao que foi efetivamente realizado. Em outubro, as estatais informaram o governo sobre a impossibilidade de realizar a totalidade dos investimentos, por isso os valores foram adaptados à nova previsão.

No total, foram cancelados R$ 20,7 bilhões em créditos orçamentários das empresas estatais. Porém, parte deles, o correspondente a R$ 8,6 bilhões, foi realocada em projetos das estatais que estavam com bom ritmo e necessitavam de mais recursos.

De acordo com dados publicados na edição de ontem do Diário Oficial da União, o maior cancelamento, de R$ 5,8 bilhões, atingiu o programa de oferta de petróleo e gás natural. Foram afetados o desenvolvimento dos sistemas de produção de óleo e gás natural da Bacia de Campos e a recuperação dos sistemas de produção de óleo e gás natural na região Norte, por exemplo.

O segundo maior corte, de R$ 5,4 bilhões, foi na área de refino de petróleo, com projetos como a implantação de uma refinaria no complexo petroquímico do Rio de Janeiro. Em seguida, o programa mais afetado é o de transporte de petróleo, derivados, gás natural e combustíveis, com R$ 2,6 bilhões. Havia, por exemplo, a previsão de gastar R$ 854 milhões na reformulação da malha de dutos no Estado de São Paulo.

Redirecionamento. De acordo com técnicos, a Petrobrás, responsável pela área, reduziu o ritmo dos investimentos pela dificuldade de adquirir equipamentos, como sondas e plataformas. No total, a estatal teve cancelados R$ 10,8 bilhões de dotação orçamentária, mas parte desse valor, R$ 3,8 bilhões, foi direcionada a outros programas da própria empresa, como um reforço de R$ 1,8 bilhão para os investimentos na indústria petroquímica. Foram contemplados projetos para a produção de fertilizantes nitrogenados, parafina e amônia, entre outros.

Outra área que teve dotações canceladas por não conseguir concretizar seus projetos é o de infraestrutura aeroportuária, com R$ 981 milhões. Foram cancelados, por exemplo, R$ 68 milhões que seriam utilizados na reforma do terminal 1 do aeroporto de Manaus (AM)e R$ 57 milhões da reforma do terminal do aeroporto do Galeão (RJ).

Os cancelamentos não ficaram restritos a essas áreas. Houve corte de R$ 74,6 milhões de recursos destinados à modernização do parque industrial da Casa da Moeda. Caixa e Banco do Nordeste cancelaram planos de implantação de um conjunto de novas agências. Também foram afetados programas como energia alternativa, aprimoramento de serviços postais e até o Luz Para Todos.

O orçamento das empresas estatais este ano é de R$ 107,3 bilhões, mas o valor sofreu vários acréscimos e reduções, assim a estimativa é de fechem o ano tendo investido R$ 103 bilhões.

Até o quinto bimestre do ano, último dado disponível, elas só haviam investido R$ 62,2 bilhões, ou 57,6% do total. Isso mostra uma queda no ritmo de investimento, comparado ao ano passado. De janeiro a outubro de 2010, haviam sido executados R$ 64,8 bilhões. Para 2012, a proposta do governo federal enviada ao Congresso previa R$ 106,8 bilhões em investimentos para as empresas estatais.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.