Estatais vão investir menos R$ 5,3 bilhões

Cortes na Petrobrás atingem, principalmente, projetos no exterior; na Eletrobrás a redução ocorre por causa da opção por atuar com parcerias

BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

30 de agosto de 2013 | 02h24

As estatais vão tirar o pé do acelerador e reduzir os investimentos no ano que vem, segundo consta da proposta de Orçamento de 2014, enviada ontem ao Congresso. Petrobrás e Eletrobrás investirão R$ 5,3 bilhões a menos do que este ano. Na estatal de petróleo, a redução será de R$ 4,8 bilhões. No setor elétrico, o corte é de R$ 500 milhões. As duas empresas respondem pela maior parte dos investimentos de estatais.

Um novo plano de negócios, que prevê desinvestimentos no exterior, reduzirá os aportes da Petrobrás no exterior dos R$ 10,5 bilhões previstos para este ano para R$ 6,5 bilhões no ano que vem. No mercado interno, o corte chegará a R$ 800 milhões, com queda de R$ 78,8 bilhões para R$ 78 bilhões.

"A Petrobrás continua tendo a segunda maior carteira de investimento entre as petroleiras do mundo", frisou a ministra do Planejamento, Miriam Belchior. "É um esforço gigantesco para vencer o desafio da exploração do pré-sal."

Ela explicou que haverá, no ano que vem, uma redução de R$ 13 bilhões na necessidade de investimentos em projetos em andamento. É o caso da Refinaria Abreu e Lima e do Complexo Petroquímico do Pernambuco, além da conclusão de reformas em outras refinarias. A maior parte desses recursos, porém, foi realocada para outros projetos, de forma que a redução ficará em R$ 800 milhões.

Já na Eletrobrás, a redução é explicada pela opção de priorizar aportes em consórcios formados com outras empresas para tocar investimentos. Assim, a necessidade de autorização de gastos diretos ficou menor.

Em contrapartida, a previsão de pagamentos de dividendos das estatais ao Tesouro cairá, disse o ministro da Fazenda, Guido Mantega. Ela foi fixada em R$ 21 bilhões.

O ministro informou que o governo não fará, em 2014, nenhum aporte de capital à Caixa. Assim, a instituição foi orientada a rever sua estratégia, deixando de financiar grandes empresas. "Ela participará do programa de concessões", ressalvou o ministro.

Mas, tirando isso, a ordem é se concentrar em pequenas e médias empresas e no financiamento imobiliário. Não há previsão de repasses de recursos do Tesouro para o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) no ano que vem, disse Mantega. / LU AIKO OTTA, ADRIANA FERNANDES, RENATA VERÍSSIMO, LAÍS ALEGRETTI

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