EFE
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Estatal chinesa de aviação entrega primeiro jato

Fabricante de aviões chinesa Comac concluiu projeto com quase uma década de atraso; para analista, jato ARJ 21 é ‘desperdício de dinheiro’

Dow Jones Newswires, O Estado de S.Paulo

30 de novembro de 2015 | 03h00

A fabricante estatal chinesa de aviões Commercial Aircraft Corp. of China, conhecida pela sigla Comac, entregou ontem para a companhia aérea local Chengdu Airlines seu primeiro jato comercial. O ARJ21, apelidade de “Fênix Voador”, teve quase uma década de atraso em seu projeto e deve entrar em serviço após três meses de testes.

A aeronave tem capacidade para carregar entre 78 e 90 passageiros por mais de 2.200 quilômetros. Segundo a Comac, a entrega é “um grande avanço” para a indústria de aviação da China. Ainda assim, especialistas dizem ser difícil a companhia ganhar destaque além do mercado regional, em segmento que é dominado pela brasileira Embraer e pela canadense Bombardier. A russa Sukhoi Civil Aircraft também produz jatos regionais, enquanto a japonesa Mitsubishi deve trazer mais competição ao mercado ao estrear sua nova aeronave, prevista para até o final do ano.

“O ARJ21 é um desperdício de dinheiro”, comenta Keith Crane, economista da Rand Corpo que estuda o setor de aviação chinês. “Ele rendeu à Comac experiência no trabalho com fornecedores ocidentais e com a questão da certificação, mas essas vantagens são ofuscadas pelos custos do projeto”, explica o analista, que lembra que a Comac herdou o projeto de um consórcio formado por empresas chinesas de aviação.

O modelo ainda não tem certificação nos EUA ou na Europa, o que significa que não pode ser exportado nem voar para grandes mercados no Ocidente. “A internacionalização do ARJ21 não é uma opção realista agora”, diz Gao Yuanyang, professor da Universidade Beihang.

Ainda assim, a Comac pode se beneficiar de compras das companhias aéreas regionais, que são controladas pelo governo. A companhia já tem encomendas de mais de 300 jatos. / DOW JONES NEWSWIRES

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