Estatal da Venezuela amplia presença na Bolívia

A estatal venezuelana PDVSA se prepara para participar de quase toda a cadeia de petróleo e gás na Bolívia. Em uma série de convênios negociados com a estatal boliviana YPFB, a empresa da Venezuela se compromete a desenvolver projetos nos segmentos de exploração e produção, processamento de gás, petroquímica e distribuição de combustíveis, além de fornecer capacitação para jovens bolivianos ocuparem postos na indústria. Ainda não há estimativas oficiais de aportes, mas na Bolívia comenta-se que os investimentos podem chegar a US$ 1,5 bilhão, mesmo volume aportado pela Petrobras no país. Os convênios serão assinados pelos presidentes Evo Morales e Hugo Chávez, que chega à Bolívia na sexta-feira para eventos na região cocaleira do Chapare, na província (Estado) de Cochabamba, e, possivelmente, no Chaco boliviano. Parceiro de primeira hora do presidente Morales, o governo Chávez caminha para se tornar um dos principais sócios dos bolivianos no setor de petróleo e gás, desbancando as multinacionais que já operam no país, como a própria Petrobras e as européias Repsol, BG e Total. No início do ano, a PDVSA abriu seu primeiro escritório na Bolívia, já de olho nas oportunidades geradas pela nacionalização das reservas locais.Nos últimos dias, técnicos venezuelanos estiveram confinados em um hotel da zona sul de La Paz para fechar os detalhes do acordo de cooperação. Entre os projetos estão a construção de uma petroquímica em Villamontes, no departamento de Tarija, principal produtor de gás na Bolívia; uma unidade de produção de gás liquefeito de petróleo (GLP) a partir do gás natural no departamento de Santa Cruz, orçada em US$ 50 milhões; a avaliação de áreas para exploração de novas reservas; e a criação da rede de postos de combustíveis Petroandina. Na área de capacitação, a idéia é garantir bolsas de estudos para a formação, na Venezuela, de mão-de-obra para o setor petrolífero, notadamente para a petroquímica. Todos os investimentos serão feitos em parceria com a YPFB, segundo determina o decreto de nacionalização do mercado boliviano de petróleo e gás. A PDVSA, inclusive, já anunciou que pretende dar aos bolivianos participação maior do que os 51% previstos na legislação da Bolívia, pelo menos no que se refere à unidade produtora de GLP, mesmo que a estatal local não entre com recursos.EstradasAinda há estudos para a construção de uma fábrica de asfalto, que usaria o pesado petróleo venezuelano e daria respaldo ao programa de recuperação e construção de rodovias em gestação no governo da Bolívia. Na segunda-feira, o presidente Evo Morales afirmou que uma das prioridades de seu governo é abrir caminhos entre a produção de bens na Bolívia e os mercados consumidores, garantindo maior competitividade aos produtos bolivianos.Morales e Chávez também devem assinar convênios nas áreas de agricultura, mineração e social. O Banco de Desenvolvimento Econômico e Social da Venezuela (Bandes) já anunciou na semana passada que vai liberar US$ 100 milhões para um fundo de apoio aos pequenos produtores da Bolívia. Fala-se ainda na criação de uma companhia mista chamada Minerosur, que atuará no setor de mineração boliviano após as mudanças que estão sendo preparadas pelo governo local.Será a terceira viagem do presidente da Venezuela à Bolívia após a posse de Morales. A marcante presença de Chávez no país vem gerando fortes debates. A oposição reclama da interferência de forças externas no processo político e econômico do país. O governo, por sua vez, diz que a parceria é benéfica para o povo, uma vez que traz investimentos que a Bolívia não pode fazer. Representantes do governo se defendem dizendo que não havia reclamações deste tipo em governos anteriores, quando os Estados Unidos eram os principais parceiros do país.

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